quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A IA Não Substitui o Humano na Inclusão Escolar

 


A Ilusão da Panaceia Digital: Por que a IA não substitui o olhar humano na inclusão escolar

Profa. Dra. Rosana Mendes Ribeiro (*)  

Vivemos um momento de euforia tecnológica. A Inteligência Artificial (IA) invadiu as salas de aula e as discussões pedagógicas com a promessa de ser o "grande equalizador" do ensino. A narrativa é sedutora: contar com um tutor personalizado para cada aluno, incansável, capaz de adaptar conteúdos em tempo real para quem possui dislexia, TDAH, discalculia ou simplesmente lacunas na base educacional.

As possibilidades proporcionadas pelas ferramentas que utilizam IA realmente são fascinantes. No entanto, precisamos ter a coragem de dizer o que os entusiastas da tecnologia muitas vezes ignoram: a IA não é uma solução totalmente confiável para a complexidade da dificuldade de aprendizagem da mente humana e a diversidade de perfis na aprendizagem.

Para um aluno com dificuldades de leitura, ferramentas de IA que resumem textos complexos ou convertem escrita em fala são pontes valiosas. A capacidade da IA de gerar exercícios infinitos sobre um tópico específico permite uma repetição que o professor, com 30 alunos ou mais em sala, dificilmente consegue gerenciar individualmente.

A tecnologia oferece acessibilidade instrumental ao remover barreiras mecânicas. Mas a aprendizagem - especialmente para quem tem dificuldades- não é apenas um processo mecânico de input e output de dados. É um processo emocional e de relacionamento. O calcanhar de Aquiles da IA, quando aplicada a alunos com dificuldades de aprendizagem, reside na sua própria natureza: ela é treinada com base em padrões. Ela busca a resposta mais provável baseada em bilhões de dados de experiências passadas, mas não tem a sensibilidade humana para lidar com ocorrências inesperadas e fora do que foi previamente analisado.

Ocorre que o aluno com dificuldade de aprendizagem é, por definição, a exceção ao padrão. Uma IA pode identificar que um aluno errou uma equação matemática, pode oferecer a solução passo a passo, mas não sabe se o erro ocorreu porque o aluno não sabe a tabuada, porque está com ansiedade paralisante, ou porque inverteu os números devido a uma disgrafia não diagnosticada.

Para a máquina, o sintoma (o erro) é tratado com uma correção lógica. Para o ser humano, o sintoma é um convite à investigação.

Além disso, temos o problema técnico da confiabilidade. IAs podem "alucinar" - inventam fatos com total confiança. Entregar uma ferramenta que pode gerar informações imprecisas a um aluno que já possui dificuldades de discernimento ou interpretação é perigoso. A tecnologia não tem compromisso ético com a verdade, nem responsabilidade moral sobre a frustração de uma criança que não consegue aprender com uma explicação gerada automaticamente e incorreta.

É aqui que a insubstituibilidade do educador se manifesta. O processo de ensino-aprendizagem para alunos com dificuldades exige nuance, algo que nenhum algoritmo possui. A percepção humana é o melhor caminho porque ela capta o invisível: o contexto emocional, a flexibilidade criativa e o vínculo de confiança com o aluno.

No contexto emocional, um professor percebe quando a dificuldade de aprendizagem é, na verdade, um problema de autoestima ou um reflexo de problemas domésticos. A IA não lê expressões faciais de frustração contida.

No que diz respeito à flexibilidade criativa, a IA repete explicações baseadas em dados pré existentes. Um educador humano inventa uma metáfora absurda, usa um jogo do recreio ou desenha no chão para fazer aquele aluno específico entender um conteúdo. A criatividade humana nasce da empatia, não da probabilidade estatística.

O vínculo da confiança é o "olhar nos olhos", que valida o esforço do aluno durante o processo, não apenas o resultado. Alunos com dificuldades de aprendizagem muitas vezes carregam traumas escolares e não aprendem com quem não confiam. A máquina não oferece acolhimento, ela oferece processamento.

O que podemos concluir é que a Inteligência Artificial deve entrar na escola como uma "muleta" sofisticada - útil para apoio, para tarefas repetitivas e para acessibilidade. Mas jamais como a "perna".

Delegar o suporte a alunos com dificuldades de aprendizagem para algoritmos é, de certo modo, uma forma de abandono digital. A tecnologia pode apontar onde está o erro, mas apenas a sensibilidade humana consegue entender quem está errando e por que. Na educação inclusiva, a tecnologia mais avançada ainda é, e sempre será, a empatia humana. A tecnologia oferece escala e velocidade, mas falha na "leitura da alma", necessária para apoiar alunos com dificuldades de aprendizagem.

 

(*) é sócia-fundadora do Núcleo Aprende, fonoaudióloga, psicopedagoga e idealizadora da Metodologia CDRA

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Fim de Carnaval: O Imposto Vem Aí!!!

 


APROVEITE O CARNAVAL DE 2026: A REFORMA TRIBUTÁRI JÁ ESTÁ NA AVENIDA

Por Luis Garcia (*)

O Carnaval de 2026 talvez não entre para a história apenas pelos blocos, pelas marchinhas ou pelas fantasias criativas feitas às pressas. Ele pode ser lembrado, com certa melancolia, como o último Carnaval antes da engrenagem da reforma tributária atropelar os foliões. Daqui a alguns anos, é bem possível que alguém diga, segurando uma cerveja cara demais: “lembra de 2026?”. E não será saudade apenas da música boa ou do bloco animado. Será saudade de um tempo em que o imposto ainda não tinha chegado à festa com tanta intimidade.

O imposto que prometeu não atrapalhar

Oficialmente, a história é linda. A reforma não aumenta carga, as alíquotas iniciais são simbólicas, “ninguém vai sentir nada”. É o mesmo discurso de todo anfitrião que garante que “é só uma reuniãozinha” — até aparecerem 40 pessoas, a conta estourar e ninguém sugerir dividir a conta.

Na prática, 2026 inaugura o período de 8 anos em que o empresário passa a conviver com dois sistemas tributários concomitantes. O antigo, que já era ruim, e o novo, que ainda ninguém sabe exatamente como vai funcionar. Isso gera custo, insegurança e precificação defensiva. O nome técnico é “transição”. O nome real é futuro incerto.

Carnaval e o bloco do Fisco

Bares, blocos e eventos sempre foram parte do folclore nacional. Agora, passam a integrar também o radar prioritário do Fisco. Dinheiro circulando rápido, contratos informais, margem curta e muita visibilidade. Para a administração tributária, isso não é festa — é oportunidade.

Quem ainda acha que dá para empurrar a discussão tributária com a barriga está apostando alto. Contratos, preços e modelos de negócio já estão sendo revistos. Não porque a alíquota cheia chegou, mas porque ninguém precifica no Brasil olhando só a lei; precifica-se também com medo de um passado tributário que nunca foi generoso.

A cerveja da alegria e o imposto do pecado

Falando em histórico, vale mencionar o Imposto Seletivo, esse tributo criado com a atípica missão de “desestimular comportamentos nocivos”. Bebidas alcoólicas estão no centro desta nova taxação. Hoje, o discurso é cauteloso, politicamente correto, voltado a saúde pública e a responsabilidade social. Mas temos, claramente, mais um viés arrecadatório. O consumidor começará a sentir aos poucos, entre 2027 e 2029, quando o imposto já estiver plenamente operacional — e ninguém mais lembrar da promessa inicial de moderação.

No Brasil, imposto seletivo raramente envelhece bem.

A nostalgia não é exagero

Quem acha exagero precisa fazer um pequeno exercício de memória recente. Durante décadas, a não tributação de dividendos foi tratada como uma espécie de cláusula cultural do sistema tributário brasileiro. Um tabu. Uma barreira.

Até o dia em que deixou de ser em 2025 – estando a pleno vapor em 2026.

Primeiro veio o discurso: “é só para os muito ricos”. Depois virá a normalização. O precedente está dado. Barreiras conceituais, quando começam a atrapalhar a arrecadação, não resistem muito tempo. A locação de imóveis, o entretenimento e o consumo popular seguem agora a mesma lógica. Hoje dizem que não é com você. Amanhã, afirmam que sempre foi.

Aproveite o desfile

Nada disso vai impedir o Carnaval. O brasileiro sempre dá um jeito de festejar-mesmo com imposto alto, mesmo com regra confusa, mesmo com boleto vencendo. Mas talvez seja prudente aproveitar o Carnaval de 2026 com um certo espírito nostálgico. Ele pode ser lembrado como aquele Carnaval em que o imposto ainda não tinha descido do trio elétrico. Depois, a festa vai continuar, só que mais cara.

(*) é advogado tributarista, formado em Direito pela USP e em Administração pela FGV. Especialista em governança e compliance.

Ilustração: X Twiter. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Desafios para o consumo & varejo em 2026

 


2026 NÃO É PARA AMADOES

Por Jean Paul Rebetez (*)

Se você é gestor do segmento de consumo ou varejo e está esperando 2026 “passar”, sinto informar: ele não vai passar. Ele vai atropelar.

Teremos eleições, Copa do Mundo, juros ainda altos, um consumidor mais cauteloso do que otimista e um cenário externo que muda de humor mais rápido do que uma timeline em dia de crise. Some a isso o protecionismo aqui, o conflito ali, cadeias globais tensionadas e uma pergunta que ecoa nas salas de reunião: como crescer sem fazer besteira? Porque 2026 não é um ano de apostas cegas. É um ano de decisões cirúrgicas.

O Brasil entra nesse ciclo eleitoral com o varejo pressionado. Crédito caro não perdoa erro de sortimento, de preço ou de estoque. Juros altos não combinam com improviso. Exigem gestão. Gestão de verdade. Daquelas que incomodam, cortam gordura, revisam dogmas e param de romantizar crescimento a qualquer custo.

Ao mesmo tempo, a Copa do Mundo aparece como aquela tentação clássica: “vai aquecer o consumo”. Vai? Talvez. Mas não para todo mundo. Eventos globais não distribuem otimismo de forma igual. Alguns ganham tráfego. Outros ganham só expectativa — e expectativa não paga boleto.

O consumidor de 2026 é menos impulsivo e mais seletivo. Ele continua comprando, mas compra melhor, menos e com menos paciência para marcas que não entregam valor real. Promoções  vazias, discurso genérico e experiência meia-boca tendem a ser ignorados com a frieza de quem aprendeu a comparar tudo em três cliques.

E, enquanto isso, o mundo lá fora não ajuda. Barreiras comerciais ressurgem, cadeias produtivas ficam mais curtas, mais caras ou mais instáveis. O “global” deixa de ser sinônimo de eficiência automática e volta a exigir estratégia. Quem depende demais de fora vai precisar repensar. Quem produz perto, negocia bem e planeja melhor ganha vantagem.

Mas talvez o maior desafio de 2026 não esteja na macroeconomia, nem na geopolítica, nem no calendário. Está na cabeça do gestor.

É um ano que vai separar quem gere com dados de quem gere com feeling. Quem entende o consumidor de quem só olha ticket médio. Quem lidera times para atravessar a incerteza de quem apenas cobra resultado.

O ano de 2026 vai premiar as marcas com clareza. Clareza de posicionamento, de proposta, de foco. Vai punir quem tenta falar com todo mundo, vender tudo, ser tudo. Em um ano turbulento, dispersão é luxo — e luxo caro.

No fim das contas, o varejo e o consumo sempre foram termômetros do País. E o termômetro de 2026 já está avisando: a febre não é passageira. A boa notícia? Crises não eliminam o mercado. Elas eliminam a preguiça intelectual, a gestão rasa e o otimismo irresponsável.

Para quem estiver disposto a pensar melhor, decidir melhor e executar melhor, 2026 pode não ser fácil, mas pode ser muito interessante. E, convenhamos: gestor que gosta só de ano fácil escolheu o setor errado.

 (*) É sócio-diretor da Gouvêa Consulting.

 


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A EMPREGABILIDADE PRECISA SER POLÍTICA DE GOVERNO

 


Quando a empregabilidade vira política de Estado - e o Brasil segue operando em silos

Por Rodrigo Dib (*)  

A Índia deu um passo relevante no debate global sobre trabalho e educação.

No Orçamento 2026–2027, o país não abandonou a criação de empregos, mas reposicionou o eixo da política pública: passou a tratar empregabilidade-e não apenas vagas criadas- como critério estruturante do planejamento nacional.

O movimento está registrado de forma objetiva no Discurso Oficial do Orçamento apresentado pelo Ministério das Finanças indiano, que propõe a criação de um “Education to Employment and Enterprise Standing Committee”, um comitê permanente de alto nível para conectar educação, qualificação, mercado de trabalho, tecnologia e crescimento econômico, com atenção explícita ao impacto da inteligência artificial sobre o emprego e as habilidades futuras (Union Budget 2026–27, Índia).

Esse ponto é central: a mudança não nasce isoladamente nos ministérios setoriais, mas no coração do Estado, via orçamento, que na Índia funciona como instrumento de coordenação interministerial. Quando o orçamento define o eixo, os ministérios se alinham.

A escala da decisão indiana

A Índia está discutindo empregabilidade em um país com uma das maiores redes educacionais do planeta. Segundo dados oficiais do governo indiano (UDISE+ / Press Information Bureau):

●    ≈ 248 milhões de estudantes na educação básica,

●    ≈ 1,47 milhão de escolas,

●    ≈ 9,8 milhões de professores.

No ensino superior, o All India Survey on Higher Education (AISHE) registra ≈ 43,3 milhões de estudantes matriculados.

No mercado de trabalho, a Periodic Labour Force Survey (PLFS) indica:

●    taxa geral de desemprego de 3,2% (15 anos ou mais),

●    desemprego jovem (15–29 anos) de cerca de 10,2%.

Esses números ajudam a entender a urgência: mesmo com crescimento econômico e baixo desemprego agregado, a transição entre estudar e trabalhar segue sendo um gargalo estrutural para milhões de jovens. A resposta indiana foi tratar essa transição como infraestrutura nacional.

O que o Brasil faz - e onde está a diferença

O Brasil também opera em grande escala, mas com lógica fragmentada.

No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2026, o Ministério da Educação deve concentrar cerca de R$ 233,4 bilhões, fortemente direcionados à educação básica e à complementação da União ao Fundeb. A prioridade é acesso, matrícula e permanência escolar.  Já a política de trabalho se ancora no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Para 2026, o CODEFAT aprovou um orçamento de R$ 130,4 bilhões, dos quais:

●    R$ 64,4 bilhões destinam-se ao Seguro-Desemprego,

●    R$ 33,7 bilhões ao Abono Salarial.

Ou seja, trata-se de um fundo robusto, mas majoritariamente orientado à proteção de renda após o desemprego, e não à reorganização estrutural da transição educação–trabalho.

Os dados recentes do IBGE (PNAD Contínua) mostram avanços importantes:

●    taxa média anual de desocupação de 5,6% em 2025,

●    103 milhões de pessoas ocupadas, recorde histórico.

Ainda assim, o sistema brasileiro não possui um eixo único de governança que conecte orçamento, educação, qualificação, tecnologia e demanda produtiva de forma contínua. Cada área cumpre seu papel, mas a ponte entre elas depende de programas pontuais, articulações locais ou iniciativas de curto prazo.

Comitê que conecta versus responsabilidades dispersas

Na Índia, o comitê criado no orçamento tem atribuições claras, como: 

●    mapear lacunas de habilidades por setor,

●    antecipar impactos da IA sobre empregos,

●    propor ajustes curriculares,

●    estruturar sistemas de “matching” entre formação, vagas e trabalhadores,

●    tornar visível o trabalho informal para facilitar mobilidade e proteção. 

No Brasil, não existe hoje uma instância com esse mandato transversal, ancorada no orçamento e com poder de coordenação sistêmica. A empregabilidade aparece como objetivo desejável, mas não como métrica central que organiza o Estado. 

O que está em jogo

A diferença entre os modelos não é ideológica, mas institucional. 

A Índia tenta reduzir uma fricção histórica: o tempo e o custo entre aprender e gerar valor no trabalho. O risco desse caminho é conhecido- transformar formação em trilho excessivamente guiado, com perda de autonomia. Mas o país escolheu enfrentar o problema no centro do governo.

O Brasil corre o risco oposto: manter bons programas, bons orçamentos e indicadores agregados positivos, enquanto milhões de jovens continuam perdidos na transição entre escola e trabalho, pagando o preço da desarticulação institucional.

A pergunta que a Índia colocou no coração do orçamento - e que o Brasil ainda trata de forma lateral - é simples e incômoda:

Estamos formando pessoas capazes de sustentar uma carreira ao longo da vida, ou apenas administrando etapas desconectadas do sistema?

Enquanto essa pergunta não virar eixo de Estado, seguiremos avançando -mas com desperdício de talento, tempo e potencial humano.

(*)  é especialista em carreira, mercado de trabalho e educação profissional, superintendente do CIEE e autor do livro “O mundo é seu, mas calma lá!”.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A Razão Humana é um ativo da competição



Por que a razão humana segue sendo o principal ativo competitivo

Dados do Banco Mundial mostram que pela primeira vez na história mais pessoas têm mais de 60 anos do que menos de 15 em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Essa mudança demográfica altera profundamente a composição da força de trabalho, elevando o valor de habilidades que só humanos possuem.

Paralelamente, a inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito distante. Desde o lançamento do ChatGPT, há mais de dois anos, ferramentas de IA têm transformado como empresas criam produtos, interagem com clientes e tomam decisões estratégicas. Um estudo de pesquisadores da Yale University e do The Brookings Institution concluiu que, embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia.

 

Então, como conectar essas duas grandes forças, longevidade da população e adoção acelerada de IA, ao futuro do trabalho?


A IA é extraordinária em automatizar tarefas repetitivas e gerar eficiência em escala. Porém, seu valor é amplificado quando aplicada em parceria com pessoas que pensam criticamente, traduzem problemas complexos em soluções e constroem conexões humanas autênticas, algo que algoritmos, por mais avançados, ainda não replicam.


Segundo o Deloitte Global Human Capital Trends, as organizações de maior desempenho estão investindo em capacidade de adaptação humana, pensamento crítico e habilidades sociais justamente para integrar equipes híbridas de humanos e IA.


Isso significa que o diferencial competitivo não é quem tem mais tecnologia, mas quem consegue extrair significado dela aplicando discernimento, experiência e visão estratégica.


O envelhecimento populacional não é um problema, é uma oportunidade estratégica. Trabalhadores mais experientes trazem melhor capacidade de julgamento, visão sistêmica, gestão de complexidade e inteligência relacional. Essas habilidades são críticas em um mundo no qual a IA já está assumindo tarefas operacionais.


Além disso, pessoas mais velhas, com bagagem profissional consolidada, são menos propensas a ser substituídas por ferramentas automatizadas porque trabalham em níveis de abstração mais altos, envolvendo nuances de contexto que a tecnologia ainda não domina.


O mercado já está sinalizando quais papéis serão mais valorizados: especialistas que criam diretrizes éticas e de uso responsável de IA, líderes que alinham tecnologia a propósito organizacional, facilitadores que traduzem dados em decisões humanas, designers que desenham experiências colaborativas entre humanos e máquinas e curadores de conhecimento que mantêm a inteligência atualizada e contextualizada.


Esses perfis, identificados em estudos de tendências de futuro do trabalho, não trocam pensamento por automação, eles elevam a automação à inteligência estratégica.


A equação humana + IA é a que cria valor sustentável. A principal tendência para os próximos anos não é a IA substituindo pessoas, nem um retorno ao trabalho exclusivamente humano. É a colaboração entre ambos, a IA acelera a execução, e os humanos comandam significado.


Empresas que perceberem essa dupla lógica, tecnológica e humana, estarão não apenas mais competitivas, mas mais resilientes frente às mudanças demográficas e de mercado. Em um mundo que muda rápido, a pergunta que líderes e profissionais devem fazer não é “O que a inteligência artificial vai fazer por mim?”, mas “Como eu uso a inteligência artificial para expandir aquilo que só eu posso oferecer: pensamento crítico, criatividade e julgamento ético?”


Essa é a pergunta que determina quem prosperará no futuro do trabalho.

 

Paulo Zahr é fundador da OdontoCompany, empreendedor e especialista em franquias.