domingo, 28 de maio de 2023

SÍNDROME DE GABRIELA



Prof. Alexandre Costa (*) 

Ultimamente tenho observado que o número de pessoas portadoras da Síndrome de Gabriela vem aumentando, inclusive nos grupos de indivíduos mais instruídos, que mesmo tendo uma base de conhecimentos mais sólida, não acreditam que podem mudar a situação em que nasceram ou estão vivendo "a cantar" a trilha sonora da personagem de Jorge Amado: "Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabriela... sempre Gabriela", sem envidar qualquer esforço para que a mudança desejada ocorra. Algumas características comportamentais comuns aos portadores desta Síndrome, que merecem atenção especial, são a Síndrome do Coitadismo e a Síndrome do Conformismo, ou seja, na percepção deles todos são culpados por seus fracassos e não adianta fazer nada porque para eles tem que ser do jeito deles, não adianta tentar mudar, porque não funciona e pronto.Outros indivíduos, um pouco menos pessimistas, adotam outra trilha sonora, também muito perigosa, cantada por Zeca Pagodinho: "Deixa a vida me levar, vida leva eu...", e tomam como lema de vida o comodismo, permanecendo estacionados no tempo, sem ter coragem de sair da zona de conforto. Em todas as áreas da vida a Síndrome de Gabriela causa sérios danos, mas na vida profissional é muito mais nefasta porque não prejudica apenas os seus portadores, mas toda organização, porque é impossível que as metas e objetivos sejam atingidos, quando se depende de pessoas portadoras desta Síndrome, especialmente, se a empreitada exigir qualquer mudança de paradigma. Para a grande maioria o processo de mudança é muito difícil e exige muito trabalho, planejamento e muita força de vontade, por isso esses indivíduos preferem continuar fazendo tudo do mesmo jeito no trabalho e na vida pessoal, perdendo, desta forma, a oportunidade de conhecer novas alternativas, amadurecer e descobrir novas possibilidades de crescimento. Aproveitando a oportunidade, gostaria de oferecer algumas sugestões aos seguidores de Gabriela: deixem definitivamente de lado frases como “vamos fazer assim, porque sempre deu certo”, “sei que desse jeito é bom, mas prefiro fazer do meu jeito” ou “sinto muito, mas sou assim mesmo”, e passem a observar exemplos de pessoas famosas ou anônimas que saíram da base da pirâmide social e atingiram os pontos mais altos, social e economicamente falando, como a saudosa Dra. Chames Salles Rolim, falecida aos 103 anos, que se formou aos 97 anos, pela Faculdade de Direito de Ipatinga, que justificava sua atitude exemplar, dizendo: "A vida é um eterno aprendizado. E quero ajudar também com o conhecimento que adquiri na faculdade".E, por último, eles precisam entender ainda que hoje pode ser o último dia da vida, portanto, até mesmo levantar-se da cama e ficar em pé, representa o risco de cair. Quem não estiver disposto a encarar a derrota correndo riscos, jamais será um vencedor.

(*) É  Palestrante, coach, escritor e editor.  contato@professoralexandrecosta.com.br  (85) 9.9929.5726.

Ilustração: Comprerural. 

segunda-feira, 15 de maio de 2023

O Custo da Insegurança Pública

 


O custo social e econômico da

insegurança pública no Brasil

 

Fernando Valente Pimentel (*)
 

Acontecimentos recentes de ataques urbanos, assim como outros que ocorrem em distintas cidades brasileiras, são a ponta do iceberg da gravíssima conjuntura do crime e da violência, que agridem o País há muito tempo e de maneira crescente. Além do pânico, ameaça à vida e ao direito de ir e vir dos cidadãos, tais episódios causam imensos danos à economia, corroborando o fato de que um dos custos mais impactantes para a operação das empresas refere-se àquele gerado pela insegurança. É algo que atrasa a indústria e o comércio, afeta o turismo, dificulta a atração e retenção de talentos e intimida a sociedade.

O estudo Segurança pública: a importância da governança, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), demonstrou que, em 2017, a triste rubrica da criminalidade custou R 365 bilhões ao País. O montante equivalia, à época, a 5,5% do PIB, ou um imposto anual de R 1,8 mil recolhido de cada brasileiro. Em 2018, a entidade, com base em dados do IBGE, divulgou que a indústria havia gastado, no ano anterior, R 30 bilhões com segurança, 2,4 vezes mais do que com pesquisa, na qual investira R 12,5 bilhões..

Monitor de Violência do G1/ Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo reportou que, em média, 111 pessoas foram assassinadas por dia no Brasil em 2022, somando mais de 40 mil no ano. Esses absurdos números incluem homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios. É como se estivéssemos em guerra. A verdade é que estamos de fato, mas contra um inimigo interno “entrincheirado” no tráfico de drogas, contrabando, descaminho, assaltos a bancos e empresas, tentativa de controle dos presídios, furtos, roubos e sequestros.
A dura realidade é que a falta de segurança pública afeta diretamente a vida das pessoas. A violência está presente em numerosas cidades brasileiras, semeando medo e causando enormes prejuízos humanos e materiais. Tal situação afeta a qualidade da vida e provoca imenso custo emocional e psicológico para a população.

Além disso, a falta de segurança pública atinge diretamente o turismo, importante fonte de receita e postos de trabalho em muitas regiões. Também impacta negativamente a produtividade e a competitividade das empresas, que precisam investir em medidas de segurança privada para proteger seus funcionários e bens, conforme mostram os dados e estatísticas aqui citados.


Outro prejuízo significativo refere-se às contas públicas. Conforme o artigo 144 da Constituição, a segurança pública é uma responsabilidade compartilhada de todas as unidades federativas. Ao Governo Federal compete o policiamento das fronteiras, combate ao tráfico internacional e interestadual de drogas e patrulhamento das rodovias sob sua jurisdição. Os estados e o Distrito Federal são responsáveis pelo policiamento ostensivo e judiciário, manutenção e organização das polícias Militar e Civil. As prefeituras devem zelar pelo patrimônio público das cidades e desenvolver ações de prevenção, por meio da instalação de equipamentos como iluminação e câmeras.

Assim, cada um dentro de suas atribuições, mas num contexto de coordenação nacional, precisa investir mais e de modo mais focado em equipamentos, treinamentos e tecnologias para modernizar as forças de segurança e combater a criminalidade. Este transtorno também gera custos para a Previdência Social e o sistema de saúde, no atendimento às milhares de pessoas que, vítimas da violência, acabam incapacitadas para o trabalho e/ou precisam ser atendidas em hospitais.

A criminalidade, assim como ocorre com outros países nos quais o problema é igualmente grave, prejudica a imagem do Brasil no cenário internacional, afastando investidores e turistas e retardando muito nosso desenvolvimento. Por isso, é premente investir em políticas públicas eficientes, incluindo a educação e um ciclo duradouro de inclusão social, para combater a violência e garantir a segurança da população, promovendo um ambiente mais seguro, pacífico e tranquilo para todos.

 

(*) é presidente emérito e diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Os Efeitos Nocivos da Ausência de Atualização da Tabela de Imposto de Renda

 

A inflacão, o imposto de renda e seus impactos sociais

César Piorski (*)

Margaret Thatcher, a ex-primeira ministra britânica, certa vez afirmou que "o governo não pode dar nada sem ter retirado antes". Com efeito, apesar de pretérita, a frase da ex-ministra se mostraria profética para o Brasil, onde problemas econômicos são resolvidos a partir soluções (pseudo) salomônicas, criando um contexto socialmente perverso e economicamente cruel.

Neste contexto, ao longo dos últimos oito anos, a solução (pseudo) salomônica encontrada pelo governo a fim de cumprir o seu papel de promover a distribuição de renda, segurança, justiça e proteção social não tem sido outra senão retirar de Pedro para dar a Paulo e, com isso, piorar a situação de ambos. O engenhoso mecanismo que permite tal façanha consiste em aumentar a tributação de maneira oculta, o que pode ser feito a partir da desvalorização monetária, tecnicamente conhecida como inflação.

No período compreendido entre abril de 2015 e fevereiro de 2023, o poder de compra da nossa moeda, medido pelo IPCA, derreteu 55%. Curiosamente a tabela do imposto de renda não seguiu a mesma lógica. Com isso, a falta de correção dos valores da tabela do Imposto de Renda pela inflação acaba fazendo com que muitas pessoas, principalmente aquelas sem capacidade contributiva sejam tributadas injustamente, caracterizando um inacreditável "confisco do fisco".

Para entender melhor essa situação, é preciso analisar as tabelas que mostram a diferença entre os valores da tabela do Imposto de Renda e os valores corrigidos pela inflação. Em 2015, por exemplo, a faixa de isenção do Imposto de Renda era de até R$ 1.903,98. Se esse valor fosse corrigido pela inflação, em 2023, essa faixa de isenção seria de R$ 2.951,16.

Ademais, perceba que o valor de R$ 2.951,16, que num sistema honesto e justo seria isento, é tributado a uma alíquota de 15% pela tabela congelada do Imposto de Renda. Ou seja, atualmente, muitas pessoas que não teriam que pagar Imposto de Renda acabam sendo tributadas por causa do descompasso entre a inflação e a correção dos valores da tabela.

 

Faixa de Renda (2015)            Alíquota IR      Faixa de Renda Corrigida

 

R$ 1.903,98                                 Isento                     R$ 2.951,16

De R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65     7.5%          R$ 2.951,16 a R$ 4.381,30De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05         15.0%          R$ 4.381,32 a R$ 5.814,12

De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68   22.5%          R$ 5.814,12 a R$ 7.229,94

Acima de R$ 4.664,68                27.5%         Acima de R$ 7.229,94

Essa situação é ainda mais grave quando se olha para as outras faixas de renda. Em 2015, a faixa de renda que era tributada com a alíquota máxima de 27,5% começava a partir de R$ 4.664,68. Se esse valor fosse corrigido pela inflação, em 2022, essa faixa de renda deveria ser de R$ 7.229,94. Ou seja, muitas pessoas que ganham muito menos do que isso atualmente acabam sendo tributadas com a alíquota máxima, o que além de injusto é, no mínimo, perverso.

Contudo, este tenebroso arcabouço pode se revelar ainda mais desumano. Para tanto, basta que se observe as implicações desta prática. Muitas pessoas que são tributadas injustamente acabam tendo que cortar gastos orçamentários em áreas como saúde, educação, alimentação e transporte para poder pagar o imposto. Isso acaba gerando um impacto negativo não só na vida dessas pessoas, mas também na economia como um todo.

Dessa forma, a ausência de correção inflacionária na tabela do Imposto de Renda cria um desincentivo para que os indivíduos busquem aumentar sua renda, pois isso pode significar um aumento na alíquota de imposto que eles pagarão, mesmo que sua capacidade contributiva real não tenha sido ampliada. Isso pode ter consequências negativas para o crescimento econômico, já que os indivíduos podem deixar de investir em sua formação e empreender em novos negócios, tudo isso a fim de evitar o injusto ônus tributário.

Como se não bastasse, a falta de correção inflacionária na tabela do Imposto de Renda também cria um incentivo perverso para a sonegação fiscal. Como os indivíduos são tributados de forma desproporcional em relação à sua capacidade contributiva real, eles podem se sentir injustiçados e tentados a burlar o sistema tributário, reduzindo a arrecadação de impostos e prejudicando o financiamento das políticas públicas.

Assim, entende-se que o principal pilar da proteção social é um sistema tributário que estimule a produção, a formação de capital e o empreendedorismo, além de garantir a justiça fiscal, sendo o primeiro passo para isso a correção da tabela do Imposto de Renda. Somente assim as políticas públicas poderão cumprir com seu verdadeiro objetivo, que é ajudar aqueles que precisam, e não os prejudicar, como tem sido nossa prática comum.

 

*César Piorski é Doutor, Mestre e Bacharel em economia com especializações em Economia de Empresas, Engenharia Financeira e Macrocenários. Atua como estrategista da Volk Capital, empresa que fundou em 2022.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

O Chat GPT na gestão financeira?

 


ChatGPT: Uma nova era na gestão financeira pessoal

por Bruno Loiola, cofundador e CGO da Pluggy


Este artigo não foi escrito pelo ChatGPT, mas com certeza o futuro da gestão financeira vai ser.

Antes de falarmos sobre isso, vamos dar um passo para trás e voltar a 2016, com a criação da BIA, inteligência artificial do Bradesco, uma iniciativa do banco para melhorar a experiência do cliente no atendimento bancário. Desde então, a BIA tem sido aprimorada e atualizada com novas funcionalidades. Em 2020, a ferramenta realizou mais de 178 milhões de atendimentos durante o ano e foi responsável por 70% dos atendimentos realizados pelo banco em canais digitais. Entre as principais funcionalidades, estão consultas de saldo e extrato, transferências, pagamentos de contas, recarga de celular, contratação de empréstimos, investimentos e seguros. Ela também está integrada ao Next, a conta digital do Banco Bradesco, oferecendo informações em tempo real sobre gastos, receitas e investimentos. Por ser uma importante e inovadora ferramenta para atendimento bancário, por vezes foi eleita a melhor assistente virtual do mercado financeiro brasileiro, com um índice de satisfação de 84%.
Mas qual o futuro desse tipo de solução?

Embora a gestão financeira seja uma importante ferramenta que apoia a garantia de um futuro financeiro seguro e estável, percebe-se um gap em seu oferecimento na prática. Isso porque trata-se de uma tarefa desafiadora, principalmente olhando para dados de educação financeira no Brasil: em pesquisa para Leve, 52% dos entrevistados não possuem ou não sabem como montar um planejamento financeiro para os próximos anos.

É aqui que entra minha aposta para o futuro: o ChatGPT.
Segundo o próprio Chat: Ele “pode ser usado para ajudar nas finanças pessoais, permitindo que as pessoas gerenciem suas finanças de forma mais eficiente”. Mas como? Acredito que ao lado de outra inovação financeira importante: O Open Finance. Imagine conectar suas contas de diferentes instituições financeiras ao ChatGPT, podendo contar com um assistente financeiro pessoal, gerenciando seu orçamento mensal, oferecendo conselhos importantes para ajustes em seus gastos de modo a economizar, otimizando metas financeiras, analisando seus investimentos e até gerando relatórios financeiros detalhados.

Finalmente poderemos utilizar a inteligência virtual para responder perguntas como: “Posso sair pra jantar hoje?”

Com respostas do tipo:
1) É melhor você preparar algo em casa já que seu orçamento para comidas fora de casa já foi ultrapassado esse mês!

2) Parece uma ótima ideia! Mas limite-se a R80, pois isso pode comprometer o pagamento do seu cartão de crédito no dia 20.

3) Vai fundo! Recalibrei suas finanças para que você consiga jantar tranquilo. Divirta-se!

O ChatGPT abre possibilidades imensas sobre o futuro e faz com que as soluções que temos atualmente pareçam pré-históricas. Esse é o futuro em que eu aposto. E estamos mais próximos dele do que imaginamos.

Ilustração: Bastidores. 



 

domingo, 30 de abril de 2023

Primeiro de Maio - o Dia da Inteligência Artificial

 


José Eduardo Gibello Pastore (* )

Claudia Patah (** )

O mundo está mudando, as relações de trabalho estão mudando. O que será de nós?

Temos hoje robôs que fazem o trabalho do homem e Inteligência Artificial que pensa por ele.

As máquinas e os robôs vão tirar nossos empregos? O que será de nós, humanos, se máquinas cada vez mais fizerem e pensarem por nós? Em que nos transformaremos: em seres felizes, mas tristes? Felizes por que máquinas farão o que não queremos mais fazer e tristes porque não teremos mais o que fazer? Se o trabalho dignifica, está profundamente atrelado a um propósito e identifica o ser humano consigo e com outrem, o que seremos sem o trabalho?

Como será o mundo agora que a Inteligência Artificial veio para ficar, mas que tanto nos atormenta? Sim, porque admiramos essa coisa toda, mas, ao mesmo tempo, a tememos.

Eu, por exemplo, quando vejo a Inteligência Artificial escrevendo um poema de amor para mim, porque outro dia lhe pedi que fizesse isso, fico pensando no futuro dos poetas. O que será das cartas de amor, dos romances, das lindas histórias cheias de alma que nos contam os escritores por meio de suas palavras? Será que no futuro vamos amar um poeta virtual, que nem coração tem?

Qual será o futuro dos professores se a Inteligência Artificial vai nos ensinar tudo? Como será o relacionamento tão importante entre os alunos e seus mestres na sala de aula? Admiraremos uma máquina como nosso educador? É A Inteligência Artificial que vai nos dar nota e nos avaliar? Ela poderá, por exemplo, nos reprovar? O que será dos alunos e dos professores? Aliás, o que será da escola? Eu é que não ia querer receber um abraço e um aperto de mão de um robô no dia da minha formatura, tampouco lhe render homenagem. Será que este será o futuro?

O que faremos com tanta tecnologia, que nos liberta e nos escraviza? Este é o paradoxo do século XXI, penso eu. Estamos nos transformando em escravos virtuais?

E notem a dimensão da tecnologia. Outro dia assisti a uma palestra de um sujeito que acessou os dados da empresa de uma pessoa por meio da luz queimada da sua varanda. Explico: com um celular e em frente à porta de seu vizinho, o sujeito “entrou” nos filamentos da luz queimada da varanda do vizinho, e da luz queimada entrou em todos os seus equipamentos eletrônicos, geladeira, TV, secadora, máquina de lavar, inclusive seu computador, onde estavam armazenados todos os dados da sua empresa, como faturamento, despesas e custos.

Este é só um exemplo daquilo que as tecnologias permitem fazer. Esse cara é o que se denomina “hacker do bem”. Ele fez tudo isso para mostrar o quanto estamos vulneráveis por conta das tecnologias. Que fique claro aqui que não as abomino; pelo contrário, apenas estou relatando esse admirável mundo novo em que vivemos.

Voltando à questão do trabalho e à Inteligência Artificial, a coisa é tão assustadora que já há um movimento para que as pesquisas em Inteligência Artificial não sejam executadas com tanta velocidade. O motivo? O medo de a Inteligência Artificial, por conta de sua autonomia de pensar e decidir, se tornar incontrolável.

Com seu impacto no mundo do trabalho, quem fará o trabalho de quem? Por certo, a Inteligência Artificial está seduzindo e ameaçando o ser humano. O que assusta são os empregos que ela está destruindo. O que nos preocupa são os lugares que ela ocupará. Se as tecnologias, por um lado, nos libertaram e possibilitaram que chegássemos até aqui vivos, são elas também que nos assombram, e a Inteligência Artificial é o exemplo máximo disso. O mundo do trabalho está mudando, e tudo está acontecendo de uma maneira tão rápida que não conseguimos acompanhar, apenas estranhar e aceitar; afinal, não há como parar o progresso.

Neste primeiro de maio comemoraremos o Dia do Trabalho. E, pela primeira vez, imagino um robô, todo feliz da vida, com bandeira em punho, comemorando o Dia do Trabalho.

 (*) é advogado, consultor de relações trabalhistas e sócio do Pastore Advogados.

(**) é advogada trabalhista sócia de Patah e Marcondes Sociedade de Advogado.

Ilustração: UNIJUI. 

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Um artigo sobre o futuro do trabalho

 Revolução da IA: ChatGPT e o futuro do trabalho

Victor de Almeida Moreira*

A história da humanidade é marcada por revoluções, momentos em que um evento, uma invenção ou um movimento popular causam uma mudança de rota na sociedade que nos leva a uma nova dinâmica de existência, como a Revolução Industrial.

Atualmente, com o avanço e disseminação da tecnologia do ChatGPT e outras inteligências artificiais (IA) semelhantes, tenho convicção de estarmos passando por um destes momentos revolucionários.

O ChatGPT é uma IA baseada em um modelo avançado de linguagem capaz de entender, aprender e gerar textos em diversos idiomas, produzir trabalhos de alta qualidade em poucos segundos. Esta tecnologia pode desenvolver documentos, escrever artigos, elaborar estruturas de trabalho, checklists de atividades, otimizações de processos e muito mais. As possibilidades de uso são incontáveis e muito de seu potencial ainda é inexplorado.

Na minha opinião, ela é exatamente o tipo de tecnologia que nos dá a oportunidade de mudar a dinâmica de trabalho como conhecemos atualmente. Veja!

Com a Revolução Agrícola, nós, homo sapiens, deixamos de ser caçadores-coletores para nos tornarmos agricultores. Desde então, a correlação entre produção e tempo de trabalho era direta e linearmente proporcional. Ou seja, quanto mais queríamos produzir, mais tempo precisávamos trabalhar. Com a Revolução Industrial e diversas evoluções tecnológicas, ao longo dos anos essa ligação entre produção e tempo de trabalho foi se dissolvendo.

Hoje, com tecnologias de inteligência artificial, a quebra desta correlação nunca esteve tão evidente. Vivemos em um novo mundo no qual os meios de produção se tornaram tão eficientes que pode-se produzir cada vez mais com menos tempo de trabalho humano.

Considerando que entre 50% e 80% do nosso tempo é gasto com comunicação, a criação de uma tecnologia (ChatGPT) que tem a capacidade de otimizar essa comunicação por meio de um modelo de aprendizado e aprimoramento constante tem o potencial de elevar nossa produtividade a patamares nunca antes atingidos.

Algumas empresas já utilizam o ChatGPT em sistemas de atendimento ao cliente, gerenciamento de agendas, processamento de dados e automação de processos, tornando as atividades mais eficientes e ágeis. Isso quer dizer que a IA já é uma realidade e que diversas empresas estão economizando tempo e recursos graças a inteligências artificiais. Isso possibilita que os funcionários se concentrem em atividades mais estratégicas e de maior valor agregado.

Mas, é apenas o início, e as possibilidades a serem exploradas são inúmeras. É por isso que, como disse o especialista em inovação Walter Longo em uma de suas palestras, acredito que “no futuro, as pessoas serão pagas para estudar e aprender, e não para trabalhar”.

(*) Victor de Almeida Moreira é engenheiro de produção,com MBA em Engenharia de Custos, e autor do livro (Auto)liderança Antifrágil, publicado pela Editora Gente.


terça-feira, 11 de abril de 2023

A evolução da Inteligência Artificial e suas aplicações para 2024

Claudio Pinheiro (*)

A inteligência artificial deixou de ser uso apenas de cientistas e agora está disponível para todos nas mais variadas maneiras, de máquinas de lavar a computadores quânticos. Quase tudo o que conhecemos tem um pouquinho do tempero da IA e do que ela proporciona para as pessoas, governos e empresas. Segundo o IDC, os gastos com inteligência artificial devem subir dos US 50.1 bilhões registrados em 2020 para mais de US 110 bilhões em 2024. Fator que é reforçado pela inerente tendência de converter os imensos volumes de dados que estamos criando em informação e conhecimentos úteis para nossas vidas e negócios.

A inteligência artificial replica a forma como os seres humanos trabalham. Naturalmente realizamos as tarefas analíticas, como a de sumarização de dados ao contarmos de forma resumida uma experiência ou situação ocorrida. Por exemplo, quando falamos sobre um jogo de futebol que assistimos, logo comentamos os resultados da partida, se os times jogaram bem, os melhores lances etc. Quando pensamos em replicar isto analiticamente, utilizamos técnicas como análise descritiva, com métricas como média, valores máximos, mínimos e até outliers (valores fora do padrão). Voltando ao exemplo do futebol, consideramos o placar do jogo e estatísticas como posse de bola, quantidade de faltas, número de chutes ao gol. Ou seja, replicando os fatos ocorridos em termos agregadores de dados. Existem outras tarefas analíticas que executamos naturalmente, tais como segmentação, classificação, previsão, recomendação e estimação, no momento em que percebemos diferentes grupos ou modalidades de clientes. Entendemos em que classe eles se encaixam, realizamos previsões de vendas, criamos campanhas de recomendação de produtos e estimamos os impactos de nossos investimentos nos resultados das organizações.

As técnicas estatísticas e os algoritmos de aprendizado de máquina são os principais instrumentos utilizados pela IA; eles replicam nossa forma de analisar os dados potencializada pelo poder de processamento computacional da nuvem.  Existem alguns tipos de abordagens lógicas que geralmente são utilizadas para desenvolver os modelos preditivos e criar soluções, como a Supervisionada, a Não-Supervisionada e a de Aprendizagem por Reforço. Cada uma delas permite analisar e explorar os conteúdos presentes nas bases de dados de forma a obtermos conhecimento e aplicações práticas.

A abordagem Supervisionada, por exemplo, permite criar modelos que aprendem com as situações passadas, focando em uma determinada variável-alvo e que permitem criar estimativas a partir de variados cenários de dados, nos dizendo, por exemplo, o impacto da variação cambial na inflação de um país ou o impacto nos preços de um produto a partir da variação dos insumos.

Já a abordagem de análise Não-Supervisionada avalia como os dados estão estruturados, seja em uma visão de clientes ou de suas características, e extrai padrões permitindo detectar agrupamentos de características ou de pessoas com gostos similares.

Por fim, a abordagem de Aprendizagem por Reforço traz soluções de desafios a partir de experimentações, de tentativas de erro e acertos devidamente orquestradas. Isso possibilita encontrar a solução de um problema complexo, utilizando, entretanto, um considerável poder computacional para chegar nas respostas.

Em 2024, teremos cada vez mais empresas avançando no uso de IA sendo as principais aplicações definidas como:

Aplicações de IA para Health: desde aplicações com modelos de análise de tempo de fila, suporte a diagnóstico a partir de análise de imagens e análise de prontuários eletrônicos. Sendo a mais notória a demanda de análise de dados de gadgets, tais como relógios digitais, celulares e pulseiras digitais que capturam dados de movimentação, práticas esportivas, batimentos cardíacos, pressão arterial e atividades físicas, o que acaba impactando em valores de apólices de seguro e de planos de saúde.

Aplicações de IA para Business: o uso de IA para análise de dados operacionais com modelos preditivos que apoiam a tomada de decisão. Nesse cenário, é crescente o uso dos modelos desde a área de marketing, vendas, operações e financeira, com foco em modelos preditivos de demanda, otimização de atendimento de cliente com processamento de dados não-estruturados (mensagens textuais ou áudios), gestão de talentos com modelos preditivos para otimizar performance de pessoal e de times, modelos para detecção de atrito de clientes e de colaboradores. Os novos aplicativos e serviços de BI como Tableau, QuickSights e PowerBI possuem recursos de inteligência que oferecem - de acordo com uma pergunta de negócios - quais seriam as melhores respostas baseadas em dados.

As aplicações de IA para análise de fraudes e detecção de fake news surgem como grandes tendências, em meio ao crescente uso de canais eletrônicos e redes sociais para rápida propagação deste tipo de conteúdo, aos modelos de IA que realizam uma análise prévia do conteúdo permitindo criar faixas de risco e implementar ações de inibição de exibição ou propagação. Aplicativos como WhatsApp, Facebook e Instagram têm cada dia mais modelos integrados em suas operações. 

Agentes de atendimento inteligentes com reconhecimento biométrico: sem dúvida, uma das grandes tendências, evoluindo dos devices de fechaduras digitais, leitores de digital presentes desde celulares, computadores, catracas de ônibus até portas de residências e recepções de edifícios para uma IA que interage com o cliente a ponto criar uma malha de segurança e de interação mais robusta.

Aplicações de IA para inovação: algoritmos para análise de bases de dados não-estruturados para identificação de elementos, com foco em desenhos de sistemas autônomos e assistentes inteligentes como o ChatGPT, da OpenAI (ChatGPT: Optimizing Language Models for Dialogue) que além de responder questões, realiza tarefas até de geração de programas de forma muito eficiente.

Colocando no contexto do nosso cotidiano, a tecnologia está mais presente do que nunca. Um aplicativo que foi amplamente utilizado final do ano passado, o Lensa, tem repercutido bastante devido à criação de imagens por meio da inteligência artificial, e o resultado são imagens únicas, utilizando diversos traços de desenhos.

Outro exemplo é o uso de assistente de voz que, integrado com a residência, consegue automatizar tudo só com o comando da fala. Além disso, também podemos conferir em serviços de streaming, que utilizam algoritmos de aprendizado para oferecer conteúdo específicos aos consumidores.

Estimativas de instituições financeiras apontam um aumento do PIB (Produto Interno Bruto) para o próximo ano e o mercado financeiro estima uma expansão para os anos seguintes. Esse crescimento permeia uma aplicação amplificada da inteligência artificial, principalmente para ofertar produtos baseados em cada perfil de consumidor, que pode gerar personalização de produtos e serviços. A Inteligência Artificial já é realidade, é questão só de entender e se acostumar com todas as facilidades que nos proporcionam.

(*) Chief Data Officer da GFT Brasil.