domingo, 26 de junho de 2022

COMO CRIAR OPORTUNIDADES PARA OS JOVENS

 


Quer abrir caminhos para os jovens?  Encare o cenário brasileiro

Por Kelly Lopes (*)

Por que estamos cada vez mais buscando oportunidades para as questões de empregabilidade dos jovens no Brasil? Por que ONGs e empresas têm se aliado para juntas, formarem e empregarem profissionais que o mercado não enxerga como potente? De onde vem essa obsessão pelo futuro do jovem no país?

As respostas chegam por um recorte de dados apresentados na publicação Síntese, que acaba de ser lançada pelo Instituto da Oportunidade Social (IOS) com o objetivo de traçar um verdadeiro mapa da juventude no Brasil e deixar claro o papel de cada membro da sociedade no desenvolvimento urgente dessas potências do futuro.

Os dados apresentados na publicação mostram que a população jovem do Brasil é, atualmente, a maior da história - são mais de 47 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos. Também é a mais afetada pelo desemprego no Brasil, atingindo a taxa de 27,1% no primeiro trimestre de 2020, entre os jovens de 18 a 24 anos. Bem acima da média geral de 12,2% do país no período.

Especialistas apontam que estamos encerrando um ciclo no qual teremos mais jovens produtivos que pessoas com mais de 50 anos. Na nova década, teremos mais público adulto, fruto do aumento da longevidade. Mas, exatamente nesse boom demográfico o jovem está com menos oportunidades de emprego. De acordo com dados do IBGE, em 2050, o Brasil será o 6º país com a maior população idosa do mundo, na frente de outros países desenvolvidos. Logo ali, em 2030, daqui a oito anos, teremos mais idosos do que pessoas com até 14 anos.

Cuidar do futuro do jovem é garantir o amanhã funcionando como uma engrenagem, fazendo girar a economia de forma sustentável. Para isso, eles precisam de um emprego hoje. Precisam de oportunidades adequadas que os desenvolvam profissionalmente. Precisam de apoio para os estudos.

De acordo com os dados apontados na Síntese, 87,4% dos alunos que se formam no ensino médio vêm da rede pública, mas somente 18% dos jovens com até 25 anos de idade buscam graduação, já que 74% das vagas de graduação estão disponíveis na rede particular de ensino, com apenas 26% na rede pública.

Mas os empregadores erram ao focarem suas buscas em jovens profissionais nas universidades. Isso dificulta o avanço educacional e profissional da grande maioria que vem do ensino público e precisa do emprego para financiar uma faculdade.

Os dados da publicação ainda apontam que, no ano passado, 17% dos jovens entre 15 e 29 anos pagam suas contas e ainda contribuem com a renda da família e 6% dos jovens sustentam integralmente as suas famílias. É muita responsabilidade para tão poucas oportunidades que o país oferece.

É por isso que a preocupação constante com o desenvolvimento dos jovens tem sido pauta de quem está realmente atento ao futuro da nossa sociedade. Em ano eleitoral, é bem importante reforçar que o candidato a qualquer cargo público que não apresentar um plano de governo que priorize os jovens, que desenvolva novas políticas públicas para apoiar a geração de emprego e garantia de desenvolvimento profissional, não merece seu voto.

Não está preocupado com a violência, com o desenvolvimento de um país e que nada faz por uma geração que representa o futuro, além de exportá-los como talentos potentes para outras nações.

Às empresas, maiores beneficiadas por profissionais que vão garantir sua eficiência e sua existência no futuro bem próximo, cabe um papel mais que importante e que não virá dos governos. É preciso assumir essa frente e abrir de fato as oportunidades para ele.

É preciso ficar claro para os empregadores que nossos jovens não chegam prontos para trabalhar. São muitos os obstáculos, principalmente entre os jovens em situação de vulnerabilidade social. O caminho deles até o emprego formal é bem tortuoso e longo. É preciso torná-lo mais rápido e urgente. Sua formação também é parte da sua responsabilidade de empresário.

Os cursos de formação profissional têm buscado somar esforços com empresas e instituições de fato preocupadas em devolver à sociedade um pouco do que conquistam. A empresa que não olha para isso não pode comunicar que possui estratégias de ESG.

Esses cursos trazem ao jovem os conhecimentos mais demandados pelas empresas e, principalmente, trabalham as competências comportamentais que vão garantir o avanço e o progresso na profissão. Além dos conhecimentos que adquire nos cursos, o jovem brasileiro, resiliente por natureza, carrega consigo o desejo de aprender, inovar e criar.

As empresas da área de TI têm atuado nessa formação. A aceleração da digitalização no Brasil, tem aumentado a demanda por profissionais qualificados para o setor e isso representa uma grande oportunidade para quem quer ingressar no mercado de trabalho. Com base nos dados do Guia Salarial 2022 da Robert Half, a Síntese indica que 63% dos CIOs (Chief Innovation Officer) dizem que será mais desafiador encontrar profissionais qualificados em tecnologia este ano. Assim, o setor de tecnologia está para o emprego assim como os jovens da periferia.

Impulsionar o desenvolvimento profissional de um jovem por meio da educação e da oportunidade de emprego é estar de fato alinhado com a agenda de desenvolvimento sustentável e ESG das empresas. Isso gera o impacto social positivo e contribuindo com as ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) propostos pela ONU, que prevê educação de qualidade, trabalho decente e crescimento econômico e redução das desigualdades.

Esse olhar cabe também às empresas. Quando isso fica claro como objetivo estratégico na sua empresa não vamos mais precisar explicar por que ainda precisamos tanto da lei de cotas para impulsionar e garantir o ingresso de uma parte de jovens que ainda querem entrar para as universidades. O caminho que eles percorrem não é o mesmo dos que têm mais acessos e oportunidades de desenvolvimento.

Diante das desigualdades e de tantos fatores que afastam e prejudicam o ingresso ágil desses jovens ao mundo do trabalho, as empresas têm um papel crucial de abrir suas portas e engajar seus pares para uma consciência cidadã, para que abracem com ela o objetivo de formar e empregar os jovens que vão moldar a sociedade do amanhã.

É a consciência cidadã que temos buscado há tempos nas urnas, eleição pós eleição. É dela que vem a atitude em somar esforços entre empresas, ONGs, escolas e tantos canais para a real transformação social que o país precisa. Isso começa dos portões para dentro das empresas. Essa é a melhor contribuição como agente transformador para levar oportunidades aos jovens talentos e atuar para a redução das desigualdades e erradicação da pobreza no Brasil. Porque quando um jovem talento cresce, sua empresa cresce, a sociedade avança. Esse é o Brasil que nós queremos!

(*) é empreendedora social e superintendente do Instituto da Oportunidade Social – IOS.

 

 

 

terça-feira, 14 de junho de 2022

Criptomoedas e Tokens




O mercado das criptomoedas e emissão de tokens
 

Rodrigo Pimenta (*)
 

A tokenização em “blockchain” é um tema que vem ganhando enorme relevância no cenário nacional e internacional. Resumidamente, consiste no processo de transformar um ativo qualquer em quotas menores e/ou fracionadas em um ecossistema descentralizado, utilizando contratos inteligentes, juntamente com a tecnologia “blockchain”. Esse processo, além de permitir a garantia, simplicidade, transparência e segurança tecnologicamente, possibilita maior facilidade para negociação a partir de mercados gigantescos, como por exemplo DeFi ou exchanges de criptoativos.

Com a grande ascensão desse universo, o mercado tem criado uma variedade de novos tipos de tokens com propósitos diversos. Existem diversas opções de categorias de tokens cujas 4 principais podem ser destacadas: os Utility tokens, Non-fungible tokens (NFT), Security tokens e Payment Tokens.

A tokenização não é um assunto recente, há pelo menos 10 anos esse tema é discutido no mercado. No entanto, ao que tudo indica, agora viveremos essa era. Recentemente, o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, apontou que a companhia deve começar a usar “blockchain” na tokenização de ativos físicos. Com o aval na participação no Sandbox Regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a parceria entre a fintech Vórtx e a holding QR Capital, tem feito testes de regulação dos primeiros tokens no mercado de capitais nesse sandbox utilizando “blockchain”.

A grande vantagem se dá pelo fato de a “blockchain” ser à prova de fraudes. Afinal, estamos falando em transformar qualquer ativo em um token, sendo ele real ou financeiro. Em se tratando da tokenização, é essa tecnologia que permite a troca de informações, em que todos os envolvidos na rede garantem a veracidade dos termos e condições. Dessa forma, não há questionamento sobre sua confiança.

É importante tocarmos no fato da confiança ser a chave do negócio. Afinal, essa é a questão principal quando o assunto é crédito. Vamos partir do princípio de que uma lei precisa de uma interpretação humana para ser aplicada. Quando traduzimos um código para “blockchain”, é ele que faz essa operação a partir de uma rede de consenso. Com isso, a tokenização de ativos financeiros cresceu aos olhos do mercado mundial, pois elimina a necessidade de confiança e desassocia a avaliação de risco. 

O grande entrave no momento gira em torno dos desafios regulatórios, facilitado pelo teste de Howey, que veda ofertar qualquer tipo de ativo para um cidadão brasileiro, demandando autorização expressa da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e, ainda assim, sendo liberado somente em alguns casos especiais. O mesmo entrave pode ser notado também em uma wallet identificada e auto-custodiada, para lidar com lavagem de dinheiro, apoio ao terrorismo e gestão das chaves privadas para diminuir a insegurança jurídica, sucessão, litígios ou disputas judiciais. Representa um enorme, como o CBDC (“Central Bank Digital Currency”), o utility token do novo “real digital brasileiro”, que conforme Roberto Campos Neto, ex-Presidente do Banco Central do Brasil, seria compatível com smart contracts em “blockchain”.
É fácil perceber como os ativos digitais em “blockchain” prometem impactar a nova economia. Mas qual a amplitude desse impacto? Na realidade ainda não sabemos. Fato é que a tecnologia “blockchain” veio para ficar na economia mundial e seu grande pilar está em permitir uma utilização mais eficiente dos recursos, reduzindo os custos das operações, ampliando os produtos financeiros já existentes e seus desdobramentos, como o DeFi, GameFi, SocialFi e InsuranceFi, que ainda carecem de um melhor tratamento com os reguladores. Os primeiros passos já foram dados, sempre de olho no futuro.
 

(*) Rodrigo Pimenta é engenheiro elétrico formado pela Poli-USP, MBA em Economia, Finanças e Operações na FGV-SP, CEO e fundador da Hubchain Tecnologia e autor de publicação de Inteligência Artificial e Algoritmos Genéticos.


sábado, 11 de junho de 2022

O uso da inteligência artificial no comércio


Deixe a inteligência artificial trabalhar para você no online e no offline 

 Bento Ribeiro (*)

A cada ano que passa, a sociedade, de maneira geral, fica mais complexa. Os interesses, a maneira de falar, a moda, as crenças, a sexualidade, o entretenimento, tudo se transforma e, assim, se transformam também as necessidades dos usuários. O cliente demanda cada vez mais personalização em sua experiência, um atendimento que considere suas particularidades, ele não quer ser mais um. É necessário oferecer recomendações e promoções especiais para esse consumidor, mostrar que o conhece.

Mas como proporcionar esse tipo de experiência a milhares de clientes? Parece humanamente impossível, e é aí que entra a inteligência artificial (IA). Você já deve ter ouvido alguém dizer que os dados “são o novo petróleo”, não é de hoje que o mercado começou a valorizá-los, tanto que já existe legislação específica para o seu tratamento. A partir da análise de uma quantidade enorme de dados, feita com velocidade e precisão, é possível personalizar a jornada do cliente levando em conta seus gostos, preferências, aversões e necessidades, elevando assim o tíquete-médio e aumentando a recorrência de suas compras.

Outro ponto em que o sistema faz toda a diferença é na cadeia logística. De acordo com estudo da empresa de consultoria Gartner, 50% das organizações da supply chain investirão em tecnologias que suportam inteligência artificial (IA) e recursos de análise avançadas até 2024. Utilizando big data, é possível prever a demanda de consumo, entender onde devem estar localizadas dark stores, evitar falta ou excesso de estoque e evitar desperdício de recursos. Ela pode ainda analisar dados relacionados ao fornecedor, tais como desempenho de entrega dentro do prazo, auditorias e avaliações, otimizar rotas, maximizar o carregamento de caminhões, melhorando assim a velocidade de entrega, reduzindo o valor do frete e a pegada ambiental.

Um exemplo da aplicação da inteligência de dados é o case da Mondelez. A empresa buscava:

visibilidade e previsibilidade do sell-out (venda ao consumidor final)

sincronização do sell out com o sell-in (venda B2B)

Com a tecnologia da Infra.data, foi possível prever tendências e indicar o abastecimento ideal. O resultado foi uma acuracidade entre 65% e 85%.

 

Ações implementadas:

Ganhos efetivos: 

 

 

Categorização de histórico de dados entre: próprios, do mercado e de clientes

Integração, limpeza e enriquecimento de dados obtidos do histórico

Aplicação de redes neurais de aprendizado cruzado e individual

 

melhor alinhamento e aderência ao planejamento

redução de estoque na cadeia

balanceamento de DOH

redução da ruptura ponderada

melhoria nos indicadores de performance (OCT, CFR, OTIF)

melhor tempo de resposta às sazonalidades

melhoria no write-off por shelf life

 

 

 

 

É claro que existem decisões que se sobrepõem às previsões, e a simbiose entre a inteligência natural e a artificial é que vai trazer os melhores resultados para cada negócio. A tecnologia não chega para substituir o ser humano, mas substitui planilha de excel, libera as pessoas de um trabalho míope e dá suporte para que possam tomar melhores decisões. A IA é capaz de reconhecer padrões, analisar possibilidades e oferecer soluções, mas há de se levar em conta as escolhas estratégicas da empresa: se eu sei que vou tirar um produto de linha, vou querer escoar esse estoque, ou se minha intenção é aumentar meu market share, a decisão não é baseada em lucro e prejuízo apenas.

Se engana quem pensa que o uso dessa ferramenta é assunto para os grandes players, quanto menor a empresa, mais importante é ter esse suporte, porque o pequeno tem menor margem e menos visão, já que dificilmente conta com um time para fazer essas análises. Hoje já conseguimos produtizar essa ferramenta, em vez de tratar cada cliente como um projeto, que leva tempo e não é acessível para os pequenos negócios, nossos clientes utilizam uma mesma versão de software, o que torna tudo mais simples.

O algoritmo precisa de algum histórico para trabalhar, porque ele aprende do passado e infere o que vai acontecer, mas esse aprendizado pode ser curto, com poucos dados internos já é possível iniciar -- a partir, por exemplo, de fontes como máquinas de cartão, planilhas, ERP -- e eles serão enriquecidos com o cruzamento de informações sobre clima, sazonalidade, eventos externos.

Os avanços tecnológicos em big data, o desenvolvimento de algoritmos e o aumento do poder de processamento apontam para um futuro promissor, com soluções cada vez mais sofisticadas que contribuirão para a eficiência do commerce on e offline e para que o consumidor tenha uma experiência fluida, conveniente e de máxima qualidade.

 (*)Diretor da unidade de negócio Infradata na Infracommerce.

Ilustração: https://www.sankhya.com.br/. 

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Um artigo sobre ser preciso pensar de forma digital

 


 A transformação digital precisa de uma mentalidade digital

por Dirceu Torres, CEO da Fuse IoT

 

Com uma alta demanda por serviços digitais por parte dos consumidores após a pandemia do Covid-19, é inevitável dizer que o futuro pertence às empresas que conseguem capacitar digitalmente suas experiências de consumo, independente do setor. Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) apontou que líderes digitais podem esperar um crescimento pelo menos 1,8 vezes maior de lucros em relação aos que são retardatários na transformação digital. No entanto, o BCG também descobriu que quase 70% de todos os esforços de transformação digital ficam aquém de seus principais objetivos. Essa alta taxa de falha foi notavelmente mencionada por várias empresas líderes globais de pesquisa e consultoria. Então, agora vem a pergunta importante - por que há uma chance maior de fracasso nas iniciativas de transformação digital, apesar do enorme interesse sobre o assunto de quase todos os setores?

A resposta está em entender o fato de que a transformação digital não está apenas em levar tecnologias novas e inovadoras para impulsionar todos os aspectos do seu negócio. É necessário cultivar uma mentalidade digital dentro da organização, entre todas as partes interessadas e funcionários, para atender às expectativas dos consumidores com experiência digital. Há uma urgência de promover uma evolução cultural para ajudar as pessoas dentro da organização a alavancar novos processos de pensamento, enquanto resolvem os desafios do cliente, e não apenas seguir o que uma nova plataforma digital lista como sua capacidade.

Não há dúvidas sobre o imenso potencial que a tecnologia pode desbloquear dentro das empresas. No entanto, a principal abordagem que os líderes precisam adotar ao implementar a transformação digital é impulsionar a tecnologia em seus negócios e não permitir que ela seja conduzida por conta própria enquanto o resto apenas pega carona. Muitos líderes não conseguem promover a necessidade de uma mentalidade digital entre os funcionários, o que pode prejudicar os objetivos estratégicos dos negócios. Vamos abordar brevemente os potenciais de uma mentalidade digital para uma melhor transformação digital em todos os níveis de uma empresa:

 

Agilidade aprimorada

Com uma mentalidade digital, sua força de trabalho pode perceber a importância de como os diferentes componentes de um ecossistema digital, principalmente dados, aplicativos e infraestrutura, dependem uns dos outros e como cada um pode complementar o outro para uma transformação bem-sucedida. Essa conscientização ajuda a elaborar planos estratégicos de integração de diferentes sistemas de negócios, minimizando processos e fluxos de trabalho e mesclando ou eliminando gargalos, resultando em melhor utilização dos dados dentro do negócio.

 

Melhor experiência do cliente

Uma mentalidade digital permite que sua empresa pense do ponto de vista do cliente. Os funcionários de todos os departamentos poderão visualizar cada parte da jornada digital que um cliente percorre e fazer ajustes estratégicos e baseados em tecnologia. Ao trazer pensamentos e feedbacks integrados de todas as partes interessadas do consumidor, insights podem ser obtidos para fornecer resultados superiores às expectativas do cliente, não como uma capacidade de um único aplicativo, mas como uma combinação de diferentes ferramentas, processos e pensamento crítico em diversas camadas de serviço.

 

Tempo de colocação no mercado mais rápido

As empresas que têm pessoas no comando e em todos os departamentos com mentalidade digital saberão o quão importante é remover barreiras e atrasos burocráticos que impedem decisões sobre implementação digital. Trabalhariam para eliminar políticas redundantes e substituí-las por outras simplificadas e ágeis; garantir o acesso à infraestrutura crítica para a força de trabalho digital; e priorizar investimentos para adoção de tecnologia. Isso acabará se traduzindo na implementação mais rápida de serviços digitais ou habilitados digitalmente pela empresa para seus clientes. Com o aumento da concorrência, as empresas precisam trazer experiências mais rapidamente ao mercado para que os consumidores possam ligeiramente construir lealdade com ela.

 

Elimine o medo de perder o emprego

Uma das principais razões pelas quais os funcionários não aproveitam o verdadeiro poder do digital é o medo oculto em suas mentes sobre uma possível substituição futura de suas funções por uma máquina ou aplicativo. Isso resultaria em situações em que eles podem, voluntária ou inconscientemente, resistir às mudanças necessárias para a transformação digital. Ao trazer uma mudança de mentalidade, os líderes podem capacitar os funcionários a pensar além de seus medos e ver o digital como uma oportunidade para melhorar suas habilidades e atender as interações com clientes mais orientadas por valor. Para isso, eles precisam criar um esboço do que a empresa pretende alcançar estrategicamente por meio do digital, traçar caminhos para cada função individual e motivá-los a seguir o trajeto para garantir o sucesso colaborativo.

 

Estamos testemunhando uma enxurrada de tecnologias inovadoras impulsionadas por IA, aprendizado de máquina, IoT e Blockchain, que estão sendo introduzidas no ecossistema digital. As empresas geralmente enfrentam um dilema ao decidir onde concentrar seus investimentos e qual tecnologia devem priorizar para obter sucesso mais rapidamente. Embora a escolha da tecnologia exija uma avaliação detalhada, o conceito fundamental da transformação digital, que se concentra em alavancar a tecnologia por meio de uma mentalidade digital, é o que deve assumir o comando.

domingo, 9 de janeiro de 2022

Um artigo de Luiz Pedro, especialista em criptomoeda da Nord Cryto Master

 


“Se não pode com ele, junte-se a ele”

Esse dizer popular, que não tem um autor definido, é repetido ao longo dos anos nos mais diversos contextos, entretanto, aqui, ele tem uma aplicação muito clara.

Em 2017 e 2018, os grandes bancos do mundo todo temiam o Bitcoin e o “demonizavam” para seus grandes investidores.

O Bitcoin foi criado para descentralizar as relações financeiras, tirando o intermediário de confiança de uma transação. Isto é, tirando os bancos da jogada.

Claramente, os grandes bancos entendiam isso e atacavam o Bitcoin de forma voraz.

Um dos grandes representantes desse ataque coordenado era Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, que por diversas vezes chamou o Bitcoin de “inútil” e chegou até a dizer que demitiria pessoalmente qualquer funcionário que tivesse bitcoin em posse ou realizasse trades com o ativo.

No entanto, essas declarações parecem ser águas passadas. Não é, Jamie?

O crescente entendimento da classe de ativos associado à demanda pelos clientes levou bancos como Goldman Sachs e JP Morgan, que já haviam criticado no passado o Bitcoin como ativo, a oferecer fundos aos seus clientes com exposição no ativo.

A grande captação que esses fundos tiveram e os grandes lucros provenientes disso fizeram os grandes bancos “mudarem de opinião” quanto ao Bitcoin.

Na última semana de 2021, vimos tanto os analistas do Goldman Sachs quanto os do JP Morgan se pronunciando sobre o Bitcoin e concordando no potencial do ativo como uma nova reserva de valor, que ainda vai se comparar ao ouro em termos de relevância no mercado.

O Goldman ainda cravou que “Bitcoin a 100 mil dólares é uma questão de tempo”.

Independentemente da ótica ou do motivo que leva a isso, ter grandes instituições favorecendo o racional de diversificação do portfólio com inclusão de Bitcoin nas carteiras é um fato positivo.

Apesar das quedas nesta semana devido à divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve em dezembro de 2021, o racional de investimento no Bitcoin como reserva de valor permanece forte a longo prazo.

As quedas são bons pontos de compra para ativos que têm bons fundamentos. A longo prazo, a disciplina de aportar periodicamente, aliada ao aproveitamento de boas oportunidades, pode trazer bons frutos para os investidores.

Vamos parar de ter medo das quedas e direcionar o nosso foco para onde ele deve estar: no longo prazo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Com o metaverso, a internet vai acabar?

 


É o que pergunta o jornalista, escritor e professor Fernando Morgado

Depois de tantos dizerem que a internet mataria todas as demais formas de comunicação, agora ela é a mais nova ameaçada de morte. Uma das frases que o Google sugere em seu serviço de busca é “what will replace the internet” (“o que substituirá a internet”). No momento em que escrevo este artigo, foram encontrados mais de 700 milhões de resultados que podem ser sintetizados em uma só palavra: metaverso. Trata-se de um espaço digital que replica e amplia a realidade.  Esse fenômeno é tão irônico quanto equivocado, assim como também foram equivocadas as promessas de que o cinema mataria o teatro, o rádio mataria os jornais e a TV mataria o rádio. Cassiano Gabus Mendes, por exemplo, disse para a Revista do Rádio: “O rádio vai sumir… Daqui a uns dez ou vinte anos, sim. Mas que vai, vai”. Essa frase foi publicada na edição de 25 de novembro de 1952. Sendo assim, pelas contas de Cassiano, o rádio teria acabado entre 1962 e 1972. Entretanto, aqui estamos nós, às portas de 2022, sendo informados pela Kantar Ibope Media de que 80% da população brasileira ouve rádio.

Metaverso: caminho para a renovação do Facebook

Ainda que metaverso seja um dos assuntos mais comentados na atualidade, a verdade é que esse conceito não é inédito. O ‘Second Life’, criado em 1999 e lançado em 2003, já oferece isso. O metaverso foi recolocado nas manchetes graças ao Facebook. Enfrentando severa crise de imagem e crescente concorrência, principalmente pelo público jovem, a companhia de Mark Zuckerberg decidiu lançar uma nova marca corporativa e anunciar seu novo empreendimento. As duas ações estão intimamente ligadas, visto que o nome Meta faz óbvia alusão ao metaverso. Em um vídeo com cerca de uma hora e vinte minutos de duração, Zuckerberg e seus executivos trataram de diferentes atividades virtuais: ensino, dança, jogos, shows e, sobretudo, vendas. “O comércio será grande parte do metaverso”, disse Vishal Shah, vice-presidente da Meta. Esse movimento representa um ajuste importante no modelo de negócio da companhia, que troca o primado da publicidade pela evolução do conceito de marketplace. O metaverso reuniria lojas tridimensionais que venderiam não apenas produtos físicos, mas também virtuais, feitos sob medida para uso dos avatares. Na Zuckerberglândia, as relações seriam construídas de forma mais direta, entre indivíduos e marcas, em ambientes que misturam elementos concretos e virtuais. Nenhuma parte da longa apresentação foi exclusivamente dedicada àquilo que hoje é fonte de parte relevante do tráfego (e das polêmicas) do Facebook: informação, seja ela confiável ou não. A empresa de Mark Zuckerberg, fortemente associada às fake news, passou a impressão de que quer recomeçar, mas bem longe da armadilha que ela montou e na qual ela própria caiu. A publicidade em troca de clique ergueu uma gigante em termos de faturamento, mas pôs em xeque o sistema político de vários países e a saúde de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Os efeitos legais de tanta desgraça agora ameaçam os negócios do Facebook, que se viu obrigado a mudar. Ao que parece, no metaverso, o “você é o que você posta” dará lugar ao “você é onde você está e com quem você está”. Nas redes sociais de hoje, tudo é mediado por fotos, textos e vídeos. Já na Zuckerberglândia, as relações seriam construídas de forma mais direta, entre indivíduos e marcas, em ambientes que misturam elementos concretos e virtuais. Consumo, emoções e relações ditariam as normas. Conteúdos, portanto, perderiam protagonismo. Parafraseando Marshall McLuhan, seria um meio sem mensagem. Em tempo: é preciso reconhecer que já existe um veículo de comunicação cujas mensagens envolvem muito pouco ou quase nada além de sensações. Eu me refiro ao TikTok. Ainda que o jingle cantado por Emicida fale em aprendizado e mencione a palavra “conteúdo”, fato é que essa rede social prioriza as reações puras e simples do usuário, não o teor daquilo que transmite. Ronaldo Lemos, cientista chefe do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), promete lançar em 2022 um livro no qual aprofundará essa discussão, que é tão relevante quanto sensível.

O metaverso e o setor de comunicação

Diante de todos esses movimentos, surge uma pergunta: quais as consequências (e oportunidades) do metaverso para os veículos de comunicação? É cedo para fazer considerações mais robustas. A própria Meta (leia-se Facebook) disse que ainda falta para o seu metaverso chegar ao público. Mesmo assim, a prioridade da tríade consumo, emoções e relações sugere que, no metaverso de Mark Zuckerberg, a produção de conteúdo caminharia, mais do que nunca, junto com a produção de atividades (ou experiências, como alguns preferem chamar). Nesse contexto, projetos especiais ganhariam novas possibilidades: ativação de marca em pontos de venda tridimensionais, promoção de shows virtuais e até sorteio de produtos para avatares.

De que forma os conteúdos jornalísticos serão produzidos e consumidos no metaverso?

A par de tanta especulação, é essencial que certas perguntas sejam respondidas para que os profissionais de comunicação tenham maior noção do futuro. De que forma os conteúdos jornalísticos serão produzidos e consumidos no metaverso? Qual será o modelo de remuneração para empresas e profissionais envolvidos nessa produção? O Brasil terá uma conexão à internet boa o suficiente para suportar o metaverso? Como se dará a regulação desse mercado? As pessoas estarão dispostas a gastar com novos aparelhos, como luvas e óculos, para entrar no reino encantado de Zuckerberg? Haverá algum esforço mais efetivo em prol da inclusão digital? Em suma: o metaverso veio mesmo para ficar ou é apenas um estratagema para mudar o foco do noticiário em torno do Facebook?

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Por Fernando Morgado. Jornalista, professor universitário e autor dos livros Comunicadores S.A. e Silvio Santos – A trajetória do mito. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Site: fernandomorgado.com.

Ilustração: Yahoo.

O FUTURO DO TRABALHO JÁ COMEÇOU, UM ARTIGO DE LEONARDO NOGUEIRA, CEO DA PROSPERI

 


Nesta nova dimensão do metaverso, as pessoas irão interagir representadas pelos seus avatares e "skins", serão remuneradas via moedas digitais e premiadas com artigos digitais protegidas por NFT

Até 2020, antes da pandemia do Covid-19, se falava em transformação digital e inovação, mas ainda era um tema um pouco distante para muitas pessoas. Ninguém imaginava que um vírus vindo da China ia mudar completamente este cenário. O mundo todo precisou adotar novas formas de pensar e agir. O futuro, que parecia distante, virou presente da noite para o dia, levando pessoas e empresas a anteciparem seus planos e se adequarem de forma abrupta a todas as novidades que estavam sendo impostas para todos nós.  Nem bem nos adaptamos a essas mudanças, e diversas tecnologias já estão invadindo o nosso dia a dia, como metaverso, NFT, blockchain, inteligência artificial, realidade virtual e/ou aumentada, que formam novas perspectivas de futuro e criam possibilidade de novos ambientes de interação entre as pessoas, semelhante aos mundos virtuais dos games em que milhares de pessoas já passam horas e horas imersos.

Nesta nova dimensão do metaverso, as pessoas irão interagir representadas pelos seus avatares e “skins”, serão remuneradas via moedas digitais, premiadas com artigos digitais protegidas por NFT e, como num vídeo game, estarão submersos com os objetivos de “passar de fase” ao alcançar as metas do metaverso, seja na educação, no trabalho e/ou no lazer. Imagine um experimento de deixar um adolescente num ambiente seguro, com um vídeo game, sem nenhuma responsabilidade a ser cumprida e com fornecimento de alimento e bebida, provavelmente, ele irá passar dias neste local jogando e, talvez, não saia nem para tomar banho.

A inteligência artificial deve acabar com as atividades repetitivas e analíticas. Por exemplo, já existem algoritmos de IA que conseguem diagnosticar doenças por análise de imagem, com maior precisão do que médicos especialistas, outros que escrevem petições jurídicas com alto grau de assertividade, através de análises de milhares de outros casos e características dos juízes do local do julgamento. Com todas estas mudanças, vagas de trabalho como atendente de call center, auxiliar de escritório, entre outros, não farão mais sentido no escopo das empresas. Em contrapartida, serão criadas novas oportunidades de trabalho como arquiteto de mundo virtual, influenciadores do metaverso, e outras que nem imaginamos ainda, porém, a tendência é que estas profissões necessitem cada vez mais especialização e conhecimento. É certo afirmar que teremos maiores perdas em empregos de baixo salário, enquanto a demanda por profissionais mais qualificados e com maior remuneração deve crescer. Estas mudanças implicam numa necessidade enorme de transição de carreiras e, para isso, é necessário se preparar, como já mencionado. Estudos apontam que entre 10% e 14% da população, em diferentes geografias precisarão mudar de carreira se quiserem se manter ativos profissionalmente. É importante ter em mente que cada vez mais a tecnologia fará parte do dia. Ou seja, pessoas que estiverem mais preparadas serão as que disputarão essas vagas. Além da competência profissional, as empresas também estarão atentas as “soft skills”, ou habilidades pessoais e comportamentais, que farão a diferença na hora da decisão. Alguns dos skills que já estão sendo considerados fundamentais para o futuro do trabalho, são: fluência digital, autoconfiança, saber lhe dar com incertezas, conhecimento organizacional, adaptabilidade, pensamento analítico e inovação, resolução de problemas complexos, aprendizagem, criatividade, liderança, inteligência emocional e influência social.

O Fórum Econômico Mundial fez um alerta ao indicar que 85 milhões de empregos serão remodelados até 2025, e que 50% dos profissionais que continuarão na sua função terão que se atualizar se quiserem fazer parte do trabalho do futuro. A requalificação profissional se torna essencial neste cenário em que muitos sistemas se tornaram ou estão se tornando autônomos e a inteligência artificial está mais presente em nossas vidas do que podemos imaginar. A questão é: quais serão as alternativas para as pessoas que não terão acesso e nem oportunidade para se atualizar e adquirir as especializações necessárias? Será que teremos milhões de pessoas vivendo imersos em uma realidade virtual do metaverso, simplesmente passando de fases e sendo sustentados por políticas globais de oferta de renda mínima, semelhante ao experimento do vídeo game citado anteriormente? O futuro está sendo criado hoje, e é um reflexo de diversas reações em cadeia. A qual grupo de trabalhadores do futuro você quer pertencer? Não perca mais tempo, se prepare agora.

Obs.: A Prosperi oferece soluções de colaboração, gestão de conteúdo e gerenciamento inteligente de projetos e portfólio de ponta a ponta. 

Ilustração: Ideia Clara.