quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Um artigo de Ipojuca Pontes


UM FENÔMENO CHAMADO BOLSONARO

Ipojuca Pontes

A esta altura do campeonato, ao cruzar a barreira dos 78 anos de idade, não me é difícil vaticinar (profetizar) que se passarão décadas, talvez séculos, para que seja possível  emergir na vida pública brasileira um fenômeno da dimensão de Jair Messias Bolsonaro. Tivemos, no cenário político pregresso, figuras do porte de José Bonifácio, D. Pedro II, Rui Barbosa, o trágico Getúlio Dornelles Vargas, dentre outros, mas, na soma geral, nenhum que tenha enfrentado com tanto destemor o renhido conflito entre a visão transcendente da vida vivida e o nocivo materialismo marxista, em essência, devorador e estatizante. Numa palavra, o velho combate entre a mentira comunista e a verdade de uma democracia inspirada em bases conservadoras, legitimada pelo voto popular. De minha parte, devo dizer que  acompanho a vida política brasileira desde o suicídio de Vargas, em agosto de 1954. Antes, tinha uma vaga noção, repassada pelos meus pais, do governo pós-guerra do Marechal Eurico Gaspar Dutra (o melhor presidente antes de Bolsonaro), que, vencendo as eleições presidenciais, colocou o Partido Comunista na ilegalidade, depois que o seu líder, Carlos Prestes, então senador, indagado com quem ficaria no caso de uma guerra entre o Brasil e a URSS, declarou sem titubear: Com a União Soviética!Ao fim da tumultuada Era Vargas, que culminou com o seu suicídio, vieram os governos de:

Café Filho, 

Juscelino Kubitscheck,

Jânio Quadros, 

Jango, 

Castelo Branco,

Costa e Silva,

Garrastazu Médici,

Ernesto Geisel, 

João  Figueiredo, 

Zé Sarney, 

Collor de Mello, 

Itamar Franco, 

FHC, 

Lula, 

Dilma Rousseff e

Michel Temer. 

Na qualidade de jornalista ou como mero observador, conheci pessoalmente Juscelino, Jânio, Jango, Figueiredo, Sarney, Collor de Mello, Itamar e o vaselina FHC. Alguns desses governos foram vergonhosos, outros medíocres, e a maioria deles, no entanto., absolutamente nociva para a consolidação de um país viável, transparente, soberano e de livre mercado. De um modo geral, diga-se, norteava tais governos o mais  indigente anti-americanismo, que  atingia as raias do grotesco, mesmo na fase dos governantes militares. Fique claro ao leitor que o trono presidencial, até o advento de Jair  Bolsonaro foi ocupado por todo tipo de gente:

comunistas, 

ladrões, 

demagogos, 

loucos, 

irresponsáveis,

ativistas, 

impostores, 

tolos e

arrivistas. Destaco fatos que ilustram o caráter de alguns desses figurões.

Por exemplo: JK. Certa feita, em campanha eleitoral, foi caitituar votos numa favela; lá, encontrando uma criança de colo, da qual escorria meleca, sacou do lenço e limpou o nariz da garota. Em seguida, rindo para a mãe e para a platéia admirada, dobrou o lenço e o recolocou cuidadosamente no bolso do paletó. Já na estrada, JK mandou parar o carro e, ar de nojo, olhou pelos lados. Só então, jogou o lenço no matagal, não sem antes imprecar contra si mesmo. (Apud Autran Dourado, o ghost writer de JK). Outro exemplo notável foi o de Jânio Quadros. Eleito presidente depois do governo perdulário e caloteiro de JK, traiu a UDN e o voto conservador que o elegeu, ao condecorar com a Grã-Cruz o sanguinário Che Guevara, numa atitude escrota, cujo objetivo era chegar, pela destemperada provocação, ao poder absoluto. Jânio tirava uma onda de doido compulsivo, mas sifu ao cabo de 7 meses – e, com ele, o País. Outro exemplo patife: em 1962, com a queda de um avião da Varig no Peru, foi encontrada uma mala diplomática cubana e, nela, uma carta confidencial destinada ao ditador Fidel dando conta das  operações e planos da guerrilha financiada por Cuba nos confins de Goiás, e que tinha por objetivo criar “mais um Vietnam” para ferrar os EUA. De posse da carta, Jango, que tinha como aliado o fanático Carlos Prestes, em vez de enviá-la ao governo americano, fez com que a correspondência chegasse em mãos de Castro – no fundo, um ato explícito de sabotagem contra o país que o manco desgovernava. Mais outro exemplo: o sub-marxista FHC, depois de comprar votos parlamentares para prorrogar o próprio mandato presidencial, foi considerado, pelos pares comunas, um reles “neo-liberal” oportunista, traidor das próprias pregações. Resposta de FHC, um vaselinoso para quem falar a verdade, que não passa de um preconceito pequeno-burguês: Esqueçam o que escrevi! Só mais um exemplo de vileza presidencial: em abril de 2004, o pedreiro José Antonio de Souza, 30 anos, desempregado, vendeu o barraco onde morava em Cariacica, Espírito Santo, deixando  a mulher grávida e um filho de 8 anos. Confiante, José partiu de ônibus para Brasília e instalou-se defronte ao Palácio do Planalto na esperança de falar com Lula, o presidente-operário, que tinha prometido riqueza e felicidade aos trabalhadores. Como ninguém o notasse, José, ao cabo de 12 dias, fez por escrito um apelo dramático: – Senhor Presidente. Vendi meu barraco no Espírito Santo para falar com o senhor. Roubaram meus documentos e estão armando um monte de problemas para mim. Estou desempregado e perdendo minha família. Preciso de ajuda. Em que pese o tamanho e a visibilidade do cartaz, ninguém deu importância ao apelo, do pedreiro, postado diante do Planalto. Nem Lula nem sua nomenclatura  parasitária. Desesperado, à luz dos primeiros raios da manhã, José, depois de banhar-se em gasolina, ateou fogo no próprio corpo em ato de consciente imolação. Gesto único na vida do País, o sacrifício do pedreiro não foi considerado pela mídia cabocla. Soube-se depois que um burocrata do governo socialista, temeroso de noticiário adverso, mandou transportar o corpo carbonizado de José para o Espírito Santo, num vôo da FAB – e ponto final. Pois bem: é esse tipo de gente, menor e sem escrúpulos, nutrida no totalitarismo vermelho que procura sufocar no homem sua crença em Deus, bem… é esse tipo de gente, repito, que faz oposição ao gigante Bolsonaro, um sujeito de couro grosso que enfrenta a cada instante a estúpida sabotagem de esquerdistas fanáticos instalados, por exemplo, no aparelho do STF, cuja maioria dos integrantes foi nomeada pelos condenados Lula e Zé Dirceu (este último, um agente cubano que garantiu que hoje não se trata mais de “ganhar as eleições, mas de tomar o governo”, como bem disse Barroso no Congresso:''eleição não não se vence, se toma.''' Ao lado do sombrio STF, Bolsonaro enfrenta de igual modo, com crescente galhardia, a má fé cínica da mídia militante, que, saudosa dos bilhões despejados pelos desgovernos de Luladrão e Dilma Guerrilheira, transforma a mentira num aríete rombudo, para detonar o governo.  Ela inventa, cozinha e divulga nas suas TVs, rádios e jornais falidos, montes de escândalos e falsas  denúncias, todas fabricadas pela mente fétida de militantes travestidos de jornalistas. Alguns desses sacos de excrementos lamentam que o sicário Adélio Bispo não tenha traspassado o coração de Bolsonaro, enquanto outros confessam por escrito o desejo insano de vê-lo morto. Por sua vez, para tirar bodum do inodoro alabastro, políticos viciosos inventaram a CPI da Peste Chinesa, considerada um escárnio pelo grosso da opinião pública consciente. Nela, para atingir Bolsonaro, são desfechados petardos inquisitoriais pelos senadores Renan Calheiros e Omar Aziz, este último, presidente do circo, envolvido em escândalos de corrupção no Amazonas, um tipo que interroga dando coices nos depoentes e no vernáculo pátrio. (O mais curioso nessa chanchada é que ninguém ali ousa ventilar a origem da covid 19 formatada no Laboratório Biológico Wuhan, epicentro da pandemia, objeto de investigações do governo esquerdista de Joe Biden, nos Estados Unidos, e de governos da União Europeia, entre eles a França e a Inglaterra.  De todo modo, o que se anuncia é o trilionário negócio da venda da discutível CoronaVac, que disparou em muitos pontos o PIB chinês). No pacote de maldades industrializado pela vilania da oposição, avolumam-se as pseudos pesquisas de intenções de votos levantadas pela fajuta DataFoice, que alimenta semanalmente a vitória de Luladrão sobre Bolsonaro (embora compareçam multidões nas manifestações em apoio ao presidente da República, enquanto poucos e insignificativos adversos, pois contados nos dedos, barbarizem as ruas nas passeatas de aluguel. A coonestar ainda os ataques bafejados pelo ódio, causam risos os insistentes  e incongruentes pronunciamentos de Lulu Barroso, presidente do STF, em favor das manipuláveis urnas eletrônicas, cujo controle digital (contra prova), ao contrário do que ele defende, se faz obrigatório para garantir o mínimo de  lisura na contagem dos votos eleitorais nas próximas eleições. Neste sentido, aliás, a sempre bem informada CIA enviou relatório à Presidência da República detalhando articulação golpista tramada pelas esquerdas na mesma linha apontada por Zé Dirceu. No entanto, do que os comunistas se esquecem, na trama diabólica urdida às claras, é que Jair Bolsonaro exatamente interpreta, como nenhum outro líder, o espírito e a alma do povo brasileiro, razão pela qual milhões de pessoas seguem os seus passos e escutam os seus pronunciamentos.  São pessoas, em resumo, que, alertas, não se deixam devorar pela bocarra do monstro vermelho que se vende ao povaréu como uma inocente odalisca de cabaré barato.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Sobre os riscos da volta da esquerda ao poder

 


A volta da esquerda ao Poder vai acelerar a fuga de cérebros e jovens brilhantes do Brasil.

Ariel Mignone (*)

Este artigo trata não de posições ou projeções políticas, mas de percepção pessoal em função das conversas, reuniões, leituras e interações que tenho tido nas últimas semanas. O que nos tem sido externado, pode se traduzir como segue. O temor da volta de Lula a presidência, para quem tem básicos conhecimentos de economia, traz consigo a constatação de perspectivas sombrias para a sobrevivência das famílias e as perspectivas se tornam cada vez menos excitantes para as novas gerações.

O arcabouço jurídico-político do nosso querido Brasil, para essas pessoas,  resulta em não ter qualquer esperança de um pais capaz de produzir riqueza material, cultural e espiritual, num ambiente de um Estado centralizador, controlador e que estimula não a livre iniciativa e pune os criadores e geradores de riqueza, de novo, material, cultural e espiritualmente, aqueles que prosperam e sāo capazes de fazer seu entorno seguir seu exemplo.

Muito acima dos personagens e narrativas vigentes na polarização estabelecida, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, essas pessoas estāo convencidas, que a história do mundo mostra claramente que os governos ditos de esquerda, no final das contas, apesar dos discursos humanitários e otimistas, acabam nāo entregando vida melhor para a maioria dos seus conterrâneos.  Veem no Brasil, infelizmente, um país de instituições nada sólidas em que se possa depositar confiança em longo prazo.

E essa é a diferença significativa quando se considera uma mudança para um pais como os EUA. Os Estados Unidos mesmo estando longe de ser um pais perfeito, permite e incentiva a diversidade de opiniões, o respeito as vontades, os valores, as iniciativas, a mobilidade social e a propriedade privada.  Vejam quantas mudanças os governos Obama e Trump tentaram fazer, por exemplo, nas questões imigratórias. As instituições, Congresso Nacional e Judiciário, no frigir dos ovos, nāo permitiram nenhuma profunda alteraçāo nas regras em vigor. E é exatamente isso que torna os EUA um pais tāo atrativo para tanta gente. Há previsibilidade. Há açāo. Há pragmatismo. E há uma economia pujante precisando de gente para contribuir ainda mais para o crescimento dessa Naçāo. Mas, mais do que tudo, há entrega de qualidade de vida para a maciça maioria da populaçāo. É por isso que estou aqui e desejo o mesmo para quem gosto, amo e aprecio. Nāo é sem razāo que quem tem disponibilidade de recursos líquidos no Brasil, se já nāo retirou tudo disponível do pais, estāo fazendo isso, e os trazendo, principalmente, para os EUA. Ou, ao menos, estāo diversificando e dolarizando fortemente seu patrimônio.  O passo seguinte? Deixar o Brasil. As estatísticas provam isso cada dia mais.

(*) É diretor comercial da Mignone Law Firm, especialista em investimentos e imigração nos Estados Unidos.

sábado, 2 de julho de 2022

Um artigo sobre a importância do tratamento de dados

 


DADO É O NOVO PETRÓLEO, MAS O QUE VOCÊ FARIA COM UM BARRIL DE PETRÓLEO?

João Paulo Tavares da Silva (*)

“O dado é o novo petróleo”. Movidas por essa afirmativa, muitas empresas iniciaram projetos voltados à implantação de novas tecnologias de dados como big data e analytics. De forma geral, podemos considerar que esses projetos, em sua grande maioria, foram executados de forma satisfatória, mas nem sempre otimizados como poderiam ser. Afinal, organizar dados não é o mesmo que extrair valor e recursos aplicáveis aos negócios.

Isso acontece, principalmente, porque as empresas ainda ignoram a prática de produtização dos dados, ainda focando em alimentar seus repositórios com dados desordenados, conflitantes, duplicados, sem propósito ou com um grau muito baixo de confiabilidade, com o objetivo único de ter uma grande massa de informações para “trabalhar”.

Para reverter esse processo, é estratégico que as empresas escolham a melhor forma de adquirir, manipular e até mesmo descartar dados. Isso auxilia na adequação a essa nova de forma mais natural e sem gerar grandes impactos estruturais.

Para um varejista, por exemplo, é mais importante ter o estoque assertivo (relação estoque x volume de vendas) do que estoque cheio. Estoque cheio é sinônimo de perdas financeiras e esses produtos, ao longo do tempo, estão perdendo valor. Por isso, é imprescindível procurar uma fórmula para garantir a quantidade ideal para uma venda mais saudável e evitar perdas desnecessárias com produtos fora de linha em seus estoques. O mesmo se faz necessário para os dados: as empresas precisam passar a entender o dado como um ativo, e como todo o ativo precisa de um ciclo de vida com objetivos bem claros.

Um objetivo fundamental para um bom aproveitamento dessas novas tecnologias deve ser a concepção desse modelo de “ciclo de vida dos dados”, que equilibre democratização, controle de acesso, monetização, regulação e segurança.

Os quatro estágios recomendados para um ciclo de vida de dados incluem:

Aquisição e captura: definição clara dos seus tipos de dados;

Gerenciamento e Manutenção: criação de políticas de governança e segurança;

Backup e recuperação: implementação de um plano de redundância, contingenciamento robusto e alta disponibilidade;

Retenção ou destruição: criação de políticas orientadas ao negócio da empresa, por se tratarem de características individuais para cada organização e setor.

Para empresas que buscam aumentar a agilidade e a eficiência com dados, ter uma estratégia de governança sólida não é negociável. O fato é que, se essas empresas não mudarem radicalmente a forma como lidam com a governança de seus dados, o caminho para a monetização desse “petróleo” estará cada vez mais longe da realidade, e em algum momento o custo desse armazenamento irá inviabilizar a estratégia data driven.

Dado é o novo petróleo, mas trará muito mais valor quando refinado.

(*) Head of Retail na Semantix.

Ilustração: https://www.artdatacontabil.com.br/.

 

domingo, 26 de junho de 2022

COMO CRIAR OPORTUNIDADES PARA OS JOVENS

 


Quer abrir caminhos para os jovens?  Encare o cenário brasileiro

Por Kelly Lopes (*)

Por que estamos cada vez mais buscando oportunidades para as questões de empregabilidade dos jovens no Brasil? Por que ONGs e empresas têm se aliado para juntas, formarem e empregarem profissionais que o mercado não enxerga como potente? De onde vem essa obsessão pelo futuro do jovem no país?

As respostas chegam por um recorte de dados apresentados na publicação Síntese, que acaba de ser lançada pelo Instituto da Oportunidade Social (IOS) com o objetivo de traçar um verdadeiro mapa da juventude no Brasil e deixar claro o papel de cada membro da sociedade no desenvolvimento urgente dessas potências do futuro.

Os dados apresentados na publicação mostram que a população jovem do Brasil é, atualmente, a maior da história - são mais de 47 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos. Também é a mais afetada pelo desemprego no Brasil, atingindo a taxa de 27,1% no primeiro trimestre de 2020, entre os jovens de 18 a 24 anos. Bem acima da média geral de 12,2% do país no período.

Especialistas apontam que estamos encerrando um ciclo no qual teremos mais jovens produtivos que pessoas com mais de 50 anos. Na nova década, teremos mais público adulto, fruto do aumento da longevidade. Mas, exatamente nesse boom demográfico o jovem está com menos oportunidades de emprego. De acordo com dados do IBGE, em 2050, o Brasil será o 6º país com a maior população idosa do mundo, na frente de outros países desenvolvidos. Logo ali, em 2030, daqui a oito anos, teremos mais idosos do que pessoas com até 14 anos.

Cuidar do futuro do jovem é garantir o amanhã funcionando como uma engrenagem, fazendo girar a economia de forma sustentável. Para isso, eles precisam de um emprego hoje. Precisam de oportunidades adequadas que os desenvolvam profissionalmente. Precisam de apoio para os estudos.

De acordo com os dados apontados na Síntese, 87,4% dos alunos que se formam no ensino médio vêm da rede pública, mas somente 18% dos jovens com até 25 anos de idade buscam graduação, já que 74% das vagas de graduação estão disponíveis na rede particular de ensino, com apenas 26% na rede pública.

Mas os empregadores erram ao focarem suas buscas em jovens profissionais nas universidades. Isso dificulta o avanço educacional e profissional da grande maioria que vem do ensino público e precisa do emprego para financiar uma faculdade.

Os dados da publicação ainda apontam que, no ano passado, 17% dos jovens entre 15 e 29 anos pagam suas contas e ainda contribuem com a renda da família e 6% dos jovens sustentam integralmente as suas famílias. É muita responsabilidade para tão poucas oportunidades que o país oferece.

É por isso que a preocupação constante com o desenvolvimento dos jovens tem sido pauta de quem está realmente atento ao futuro da nossa sociedade. Em ano eleitoral, é bem importante reforçar que o candidato a qualquer cargo público que não apresentar um plano de governo que priorize os jovens, que desenvolva novas políticas públicas para apoiar a geração de emprego e garantia de desenvolvimento profissional, não merece seu voto.

Não está preocupado com a violência, com o desenvolvimento de um país e que nada faz por uma geração que representa o futuro, além de exportá-los como talentos potentes para outras nações.

Às empresas, maiores beneficiadas por profissionais que vão garantir sua eficiência e sua existência no futuro bem próximo, cabe um papel mais que importante e que não virá dos governos. É preciso assumir essa frente e abrir de fato as oportunidades para ele.

É preciso ficar claro para os empregadores que nossos jovens não chegam prontos para trabalhar. São muitos os obstáculos, principalmente entre os jovens em situação de vulnerabilidade social. O caminho deles até o emprego formal é bem tortuoso e longo. É preciso torná-lo mais rápido e urgente. Sua formação também é parte da sua responsabilidade de empresário.

Os cursos de formação profissional têm buscado somar esforços com empresas e instituições de fato preocupadas em devolver à sociedade um pouco do que conquistam. A empresa que não olha para isso não pode comunicar que possui estratégias de ESG.

Esses cursos trazem ao jovem os conhecimentos mais demandados pelas empresas e, principalmente, trabalham as competências comportamentais que vão garantir o avanço e o progresso na profissão. Além dos conhecimentos que adquire nos cursos, o jovem brasileiro, resiliente por natureza, carrega consigo o desejo de aprender, inovar e criar.

As empresas da área de TI têm atuado nessa formação. A aceleração da digitalização no Brasil, tem aumentado a demanda por profissionais qualificados para o setor e isso representa uma grande oportunidade para quem quer ingressar no mercado de trabalho. Com base nos dados do Guia Salarial 2022 da Robert Half, a Síntese indica que 63% dos CIOs (Chief Innovation Officer) dizem que será mais desafiador encontrar profissionais qualificados em tecnologia este ano. Assim, o setor de tecnologia está para o emprego assim como os jovens da periferia.

Impulsionar o desenvolvimento profissional de um jovem por meio da educação e da oportunidade de emprego é estar de fato alinhado com a agenda de desenvolvimento sustentável e ESG das empresas. Isso gera o impacto social positivo e contribuindo com as ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) propostos pela ONU, que prevê educação de qualidade, trabalho decente e crescimento econômico e redução das desigualdades.

Esse olhar cabe também às empresas. Quando isso fica claro como objetivo estratégico na sua empresa não vamos mais precisar explicar por que ainda precisamos tanto da lei de cotas para impulsionar e garantir o ingresso de uma parte de jovens que ainda querem entrar para as universidades. O caminho que eles percorrem não é o mesmo dos que têm mais acessos e oportunidades de desenvolvimento.

Diante das desigualdades e de tantos fatores que afastam e prejudicam o ingresso ágil desses jovens ao mundo do trabalho, as empresas têm um papel crucial de abrir suas portas e engajar seus pares para uma consciência cidadã, para que abracem com ela o objetivo de formar e empregar os jovens que vão moldar a sociedade do amanhã.

É a consciência cidadã que temos buscado há tempos nas urnas, eleição pós eleição. É dela que vem a atitude em somar esforços entre empresas, ONGs, escolas e tantos canais para a real transformação social que o país precisa. Isso começa dos portões para dentro das empresas. Essa é a melhor contribuição como agente transformador para levar oportunidades aos jovens talentos e atuar para a redução das desigualdades e erradicação da pobreza no Brasil. Porque quando um jovem talento cresce, sua empresa cresce, a sociedade avança. Esse é o Brasil que nós queremos!

(*) é empreendedora social e superintendente do Instituto da Oportunidade Social – IOS.

 

 

 

terça-feira, 14 de junho de 2022

Criptomoedas e Tokens




O mercado das criptomoedas e emissão de tokens
 

Rodrigo Pimenta (*)
 

A tokenização em “blockchain” é um tema que vem ganhando enorme relevância no cenário nacional e internacional. Resumidamente, consiste no processo de transformar um ativo qualquer em quotas menores e/ou fracionadas em um ecossistema descentralizado, utilizando contratos inteligentes, juntamente com a tecnologia “blockchain”. Esse processo, além de permitir a garantia, simplicidade, transparência e segurança tecnologicamente, possibilita maior facilidade para negociação a partir de mercados gigantescos, como por exemplo DeFi ou exchanges de criptoativos.

Com a grande ascensão desse universo, o mercado tem criado uma variedade de novos tipos de tokens com propósitos diversos. Existem diversas opções de categorias de tokens cujas 4 principais podem ser destacadas: os Utility tokens, Non-fungible tokens (NFT), Security tokens e Payment Tokens.

A tokenização não é um assunto recente, há pelo menos 10 anos esse tema é discutido no mercado. No entanto, ao que tudo indica, agora viveremos essa era. Recentemente, o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, apontou que a companhia deve começar a usar “blockchain” na tokenização de ativos físicos. Com o aval na participação no Sandbox Regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a parceria entre a fintech Vórtx e a holding QR Capital, tem feito testes de regulação dos primeiros tokens no mercado de capitais nesse sandbox utilizando “blockchain”.

A grande vantagem se dá pelo fato de a “blockchain” ser à prova de fraudes. Afinal, estamos falando em transformar qualquer ativo em um token, sendo ele real ou financeiro. Em se tratando da tokenização, é essa tecnologia que permite a troca de informações, em que todos os envolvidos na rede garantem a veracidade dos termos e condições. Dessa forma, não há questionamento sobre sua confiança.

É importante tocarmos no fato da confiança ser a chave do negócio. Afinal, essa é a questão principal quando o assunto é crédito. Vamos partir do princípio de que uma lei precisa de uma interpretação humana para ser aplicada. Quando traduzimos um código para “blockchain”, é ele que faz essa operação a partir de uma rede de consenso. Com isso, a tokenização de ativos financeiros cresceu aos olhos do mercado mundial, pois elimina a necessidade de confiança e desassocia a avaliação de risco. 

O grande entrave no momento gira em torno dos desafios regulatórios, facilitado pelo teste de Howey, que veda ofertar qualquer tipo de ativo para um cidadão brasileiro, demandando autorização expressa da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e, ainda assim, sendo liberado somente em alguns casos especiais. O mesmo entrave pode ser notado também em uma wallet identificada e auto-custodiada, para lidar com lavagem de dinheiro, apoio ao terrorismo e gestão das chaves privadas para diminuir a insegurança jurídica, sucessão, litígios ou disputas judiciais. Representa um enorme, como o CBDC (“Central Bank Digital Currency”), o utility token do novo “real digital brasileiro”, que conforme Roberto Campos Neto, ex-Presidente do Banco Central do Brasil, seria compatível com smart contracts em “blockchain”.
É fácil perceber como os ativos digitais em “blockchain” prometem impactar a nova economia. Mas qual a amplitude desse impacto? Na realidade ainda não sabemos. Fato é que a tecnologia “blockchain” veio para ficar na economia mundial e seu grande pilar está em permitir uma utilização mais eficiente dos recursos, reduzindo os custos das operações, ampliando os produtos financeiros já existentes e seus desdobramentos, como o DeFi, GameFi, SocialFi e InsuranceFi, que ainda carecem de um melhor tratamento com os reguladores. Os primeiros passos já foram dados, sempre de olho no futuro.
 

(*) Rodrigo Pimenta é engenheiro elétrico formado pela Poli-USP, MBA em Economia, Finanças e Operações na FGV-SP, CEO e fundador da Hubchain Tecnologia e autor de publicação de Inteligência Artificial e Algoritmos Genéticos.


sábado, 11 de junho de 2022

O uso da inteligência artificial no comércio


Deixe a inteligência artificial trabalhar para você no online e no offline 

 Bento Ribeiro (*)

A cada ano que passa, a sociedade, de maneira geral, fica mais complexa. Os interesses, a maneira de falar, a moda, as crenças, a sexualidade, o entretenimento, tudo se transforma e, assim, se transformam também as necessidades dos usuários. O cliente demanda cada vez mais personalização em sua experiência, um atendimento que considere suas particularidades, ele não quer ser mais um. É necessário oferecer recomendações e promoções especiais para esse consumidor, mostrar que o conhece.

Mas como proporcionar esse tipo de experiência a milhares de clientes? Parece humanamente impossível, e é aí que entra a inteligência artificial (IA). Você já deve ter ouvido alguém dizer que os dados “são o novo petróleo”, não é de hoje que o mercado começou a valorizá-los, tanto que já existe legislação específica para o seu tratamento. A partir da análise de uma quantidade enorme de dados, feita com velocidade e precisão, é possível personalizar a jornada do cliente levando em conta seus gostos, preferências, aversões e necessidades, elevando assim o tíquete-médio e aumentando a recorrência de suas compras.

Outro ponto em que o sistema faz toda a diferença é na cadeia logística. De acordo com estudo da empresa de consultoria Gartner, 50% das organizações da supply chain investirão em tecnologias que suportam inteligência artificial (IA) e recursos de análise avançadas até 2024. Utilizando big data, é possível prever a demanda de consumo, entender onde devem estar localizadas dark stores, evitar falta ou excesso de estoque e evitar desperdício de recursos. Ela pode ainda analisar dados relacionados ao fornecedor, tais como desempenho de entrega dentro do prazo, auditorias e avaliações, otimizar rotas, maximizar o carregamento de caminhões, melhorando assim a velocidade de entrega, reduzindo o valor do frete e a pegada ambiental.

Um exemplo da aplicação da inteligência de dados é o case da Mondelez. A empresa buscava:

visibilidade e previsibilidade do sell-out (venda ao consumidor final)

sincronização do sell out com o sell-in (venda B2B)

Com a tecnologia da Infra.data, foi possível prever tendências e indicar o abastecimento ideal. O resultado foi uma acuracidade entre 65% e 85%.

 

Ações implementadas:

Ganhos efetivos: 

 

 

Categorização de histórico de dados entre: próprios, do mercado e de clientes

Integração, limpeza e enriquecimento de dados obtidos do histórico

Aplicação de redes neurais de aprendizado cruzado e individual

 

melhor alinhamento e aderência ao planejamento

redução de estoque na cadeia

balanceamento de DOH

redução da ruptura ponderada

melhoria nos indicadores de performance (OCT, CFR, OTIF)

melhor tempo de resposta às sazonalidades

melhoria no write-off por shelf life

 

 

 

 

É claro que existem decisões que se sobrepõem às previsões, e a simbiose entre a inteligência natural e a artificial é que vai trazer os melhores resultados para cada negócio. A tecnologia não chega para substituir o ser humano, mas substitui planilha de excel, libera as pessoas de um trabalho míope e dá suporte para que possam tomar melhores decisões. A IA é capaz de reconhecer padrões, analisar possibilidades e oferecer soluções, mas há de se levar em conta as escolhas estratégicas da empresa: se eu sei que vou tirar um produto de linha, vou querer escoar esse estoque, ou se minha intenção é aumentar meu market share, a decisão não é baseada em lucro e prejuízo apenas.

Se engana quem pensa que o uso dessa ferramenta é assunto para os grandes players, quanto menor a empresa, mais importante é ter esse suporte, porque o pequeno tem menor margem e menos visão, já que dificilmente conta com um time para fazer essas análises. Hoje já conseguimos produtizar essa ferramenta, em vez de tratar cada cliente como um projeto, que leva tempo e não é acessível para os pequenos negócios, nossos clientes utilizam uma mesma versão de software, o que torna tudo mais simples.

O algoritmo precisa de algum histórico para trabalhar, porque ele aprende do passado e infere o que vai acontecer, mas esse aprendizado pode ser curto, com poucos dados internos já é possível iniciar -- a partir, por exemplo, de fontes como máquinas de cartão, planilhas, ERP -- e eles serão enriquecidos com o cruzamento de informações sobre clima, sazonalidade, eventos externos.

Os avanços tecnológicos em big data, o desenvolvimento de algoritmos e o aumento do poder de processamento apontam para um futuro promissor, com soluções cada vez mais sofisticadas que contribuirão para a eficiência do commerce on e offline e para que o consumidor tenha uma experiência fluida, conveniente e de máxima qualidade.

 (*)Diretor da unidade de negócio Infradata na Infracommerce.

Ilustração: https://www.sankhya.com.br/. 

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Um artigo sobre ser preciso pensar de forma digital

 


 A transformação digital precisa de uma mentalidade digital

por Dirceu Torres, CEO da Fuse IoT

 

Com uma alta demanda por serviços digitais por parte dos consumidores após a pandemia do Covid-19, é inevitável dizer que o futuro pertence às empresas que conseguem capacitar digitalmente suas experiências de consumo, independente do setor. Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) apontou que líderes digitais podem esperar um crescimento pelo menos 1,8 vezes maior de lucros em relação aos que são retardatários na transformação digital. No entanto, o BCG também descobriu que quase 70% de todos os esforços de transformação digital ficam aquém de seus principais objetivos. Essa alta taxa de falha foi notavelmente mencionada por várias empresas líderes globais de pesquisa e consultoria. Então, agora vem a pergunta importante - por que há uma chance maior de fracasso nas iniciativas de transformação digital, apesar do enorme interesse sobre o assunto de quase todos os setores?

A resposta está em entender o fato de que a transformação digital não está apenas em levar tecnologias novas e inovadoras para impulsionar todos os aspectos do seu negócio. É necessário cultivar uma mentalidade digital dentro da organização, entre todas as partes interessadas e funcionários, para atender às expectativas dos consumidores com experiência digital. Há uma urgência de promover uma evolução cultural para ajudar as pessoas dentro da organização a alavancar novos processos de pensamento, enquanto resolvem os desafios do cliente, e não apenas seguir o que uma nova plataforma digital lista como sua capacidade.

Não há dúvidas sobre o imenso potencial que a tecnologia pode desbloquear dentro das empresas. No entanto, a principal abordagem que os líderes precisam adotar ao implementar a transformação digital é impulsionar a tecnologia em seus negócios e não permitir que ela seja conduzida por conta própria enquanto o resto apenas pega carona. Muitos líderes não conseguem promover a necessidade de uma mentalidade digital entre os funcionários, o que pode prejudicar os objetivos estratégicos dos negócios. Vamos abordar brevemente os potenciais de uma mentalidade digital para uma melhor transformação digital em todos os níveis de uma empresa:

 

Agilidade aprimorada

Com uma mentalidade digital, sua força de trabalho pode perceber a importância de como os diferentes componentes de um ecossistema digital, principalmente dados, aplicativos e infraestrutura, dependem uns dos outros e como cada um pode complementar o outro para uma transformação bem-sucedida. Essa conscientização ajuda a elaborar planos estratégicos de integração de diferentes sistemas de negócios, minimizando processos e fluxos de trabalho e mesclando ou eliminando gargalos, resultando em melhor utilização dos dados dentro do negócio.

 

Melhor experiência do cliente

Uma mentalidade digital permite que sua empresa pense do ponto de vista do cliente. Os funcionários de todos os departamentos poderão visualizar cada parte da jornada digital que um cliente percorre e fazer ajustes estratégicos e baseados em tecnologia. Ao trazer pensamentos e feedbacks integrados de todas as partes interessadas do consumidor, insights podem ser obtidos para fornecer resultados superiores às expectativas do cliente, não como uma capacidade de um único aplicativo, mas como uma combinação de diferentes ferramentas, processos e pensamento crítico em diversas camadas de serviço.

 

Tempo de colocação no mercado mais rápido

As empresas que têm pessoas no comando e em todos os departamentos com mentalidade digital saberão o quão importante é remover barreiras e atrasos burocráticos que impedem decisões sobre implementação digital. Trabalhariam para eliminar políticas redundantes e substituí-las por outras simplificadas e ágeis; garantir o acesso à infraestrutura crítica para a força de trabalho digital; e priorizar investimentos para adoção de tecnologia. Isso acabará se traduzindo na implementação mais rápida de serviços digitais ou habilitados digitalmente pela empresa para seus clientes. Com o aumento da concorrência, as empresas precisam trazer experiências mais rapidamente ao mercado para que os consumidores possam ligeiramente construir lealdade com ela.

 

Elimine o medo de perder o emprego

Uma das principais razões pelas quais os funcionários não aproveitam o verdadeiro poder do digital é o medo oculto em suas mentes sobre uma possível substituição futura de suas funções por uma máquina ou aplicativo. Isso resultaria em situações em que eles podem, voluntária ou inconscientemente, resistir às mudanças necessárias para a transformação digital. Ao trazer uma mudança de mentalidade, os líderes podem capacitar os funcionários a pensar além de seus medos e ver o digital como uma oportunidade para melhorar suas habilidades e atender as interações com clientes mais orientadas por valor. Para isso, eles precisam criar um esboço do que a empresa pretende alcançar estrategicamente por meio do digital, traçar caminhos para cada função individual e motivá-los a seguir o trajeto para garantir o sucesso colaborativo.

 

Estamos testemunhando uma enxurrada de tecnologias inovadoras impulsionadas por IA, aprendizado de máquina, IoT e Blockchain, que estão sendo introduzidas no ecossistema digital. As empresas geralmente enfrentam um dilema ao decidir onde concentrar seus investimentos e qual tecnologia devem priorizar para obter sucesso mais rapidamente. Embora a escolha da tecnologia exija uma avaliação detalhada, o conceito fundamental da transformação digital, que se concentra em alavancar a tecnologia por meio de uma mentalidade digital, é o que deve assumir o comando.