O FUTURO DA CONSTRUÇÃO É
MODULAR?
Por Pedro
Rodrigues de Castro Jalles (*)
A construção civil vive
um momento de transformação. Pressionada por custos crescentes, escassez de mão
de obra e demandas por sustentabilidade, o segmento começa a olhar para modelos
mais industrializados, e é nesse contexto que a construção modular ganha
protagonismo.
Mas afinal, estamos
diante de uma tendência passageira ou de uma mudança estrutural no setor?
De acordo como os
números, esse cenário não se trata de um movimento pontual. O mercado global de
construção modular deve sair de cerca de US$ 100 bilhões em 2026 para mais de
US$ 175 bilhões até 2034, mantendo crescimento consistente ao longo da próxima
década, conforme aponta a Fortune Business Insights. No Brasil, o avanço segue
a mesma direção: o setor já movimenta centenas de milhões de dólares e pode
ultrapassar US$ 1,2 bilhão até 2032, impulsionado pela urbanização, déficit
habitacional e busca por maior eficiência nas obras.
A lógica por trás desse
crescimento é clara: ao transferir parte significativa da construção para
ambientes industriais, com módulos produzidos em fábrica e posteriormente
montados no local, o modelo modular reduz prazos, aumenta a previsibilidade e
melhora o controle de qualidade. Em muitos casos, obras podem ser concluídas em
meses, não anos, com menos desperdício de materiais e maior padronização.
Além disso, a construção
modular responde diretamente a um dos principais gargalos do setor: a
produtividade. Enquanto outros segmentos da economia avançaram com automação e
escala, a construção civil permanece relativamente estagnada. A
industrialização do processo construtivo surge, portanto, como uma resposta
natural a essa defasagem.
Outro fator relevante é a
sustentabilidade. Afinal, com processos mais controlados, a construção modular
tende a gerar menos resíduos e otimizar o uso de insumos, alinhando-se às
exigências ambientais cada vez mais rigorosas. Soma-se a isso a possibilidade
de reaproveitamento e realocação de estruturas, especialmente em projetos
temporários ou emergenciais.
No entanto, afirmar que o
futuro da construção será totalmente modular ainda é precipitado. O modelo
enfrenta desafios importantes, como barreiras regulatórias, necessidade de
adaptação cultural do setor e limitações logísticas em determinadas regiões. Em
muitos mercados, a construção modular ainda representa uma pequena parcela das
edificações, embora com potencial de crescimento significativo nos próximos
anos.
Mais do que substituir
completamente os métodos tradicionais, a tendência é de coexistência. Projetos
híbridos, que combinam elementos modulares com construção convencional, já são
realidade e devem se tornar cada vez mais comuns.
O que parece certo é que
o setor caminha para um novo paradigma: menos obra improvisada, mais engenharia
de precisão; menos variabilidade, mais previsibilidade. Nesse cenário, a
construção modular é um indicativo claro de para onde a indústria está evoluindo.
O futuro da construção
talvez não seja exclusivamente modular, mas será, sem dúvida, mais
industrializado, tecnológico e orientado à eficiência.
(*) é engenheiro e
pesquisador.
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