sexta-feira, 20 de março de 2026

O Futuro da Construção é Modular?

 

O FUTURO DA CONSTRUÇÃO É MODULAR?

Por Pedro Rodrigues de Castro Jalles (*)  

A construção civil vive um momento de transformação. Pressionada por custos crescentes, escassez de mão de obra e demandas por sustentabilidade, o segmento começa a olhar para modelos mais industrializados, e é nesse contexto que a construção modular ganha protagonismo.

Mas afinal, estamos diante de uma tendência passageira ou de uma mudança estrutural no setor?

De acordo como os números, esse cenário não se trata de um movimento pontual. O mercado global de construção modular deve sair de cerca de US$ 100 bilhões em 2026 para mais de US$ 175 bilhões até 2034, mantendo crescimento consistente ao longo da próxima década, conforme aponta a Fortune Business Insights. No Brasil, o avanço segue a mesma direção: o setor já movimenta centenas de milhões de dólares e pode ultrapassar US$ 1,2 bilhão até 2032, impulsionado pela urbanização, déficit habitacional e busca por maior eficiência nas obras.

A lógica por trás desse crescimento é clara: ao transferir parte significativa da construção para ambientes industriais, com módulos produzidos em fábrica e posteriormente montados no local, o modelo modular reduz prazos, aumenta a previsibilidade e melhora o controle de qualidade. Em muitos casos, obras podem ser concluídas em meses, não anos, com menos desperdício de materiais e maior padronização.

Além disso, a construção modular responde diretamente a um dos principais gargalos do setor: a produtividade. Enquanto outros segmentos da economia avançaram com automação e escala, a construção civil permanece relativamente estagnada. A industrialização do processo construtivo surge, portanto, como uma resposta natural a essa defasagem.

Outro fator relevante é a sustentabilidade. Afinal, com processos mais controlados, a construção modular tende a gerar menos resíduos e otimizar o uso de insumos, alinhando-se às exigências ambientais cada vez mais rigorosas. Soma-se a isso a possibilidade de reaproveitamento e realocação de estruturas, especialmente em projetos temporários ou emergenciais.

No entanto, afirmar que o futuro da construção será totalmente modular ainda é precipitado. O modelo enfrenta desafios importantes, como barreiras regulatórias, necessidade de adaptação cultural do setor e limitações logísticas em determinadas regiões. Em muitos mercados, a construção modular ainda representa uma pequena parcela das edificações, embora com potencial de crescimento significativo nos próximos anos.

Mais do que substituir completamente os métodos tradicionais, a tendência é de coexistência. Projetos híbridos, que combinam elementos modulares com construção convencional, já são realidade e devem se tornar cada vez mais comuns.

O que parece certo é que o setor caminha para um novo paradigma: menos obra improvisada, mais engenharia de precisão; menos variabilidade, mais previsibilidade. Nesse cenário, a construção modular é um indicativo claro de para onde a indústria está evoluindo.

O futuro da construção talvez não seja exclusivamente modular, mas será, sem dúvida, mais industrializado, tecnológico e orientado à eficiência.

(*) é engenheiro e pesquisador.

 

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