IA:QUEM CONTROLA OSCONTROLADORES?
Por Rick Schwartz
Durante
décadas, o conceito de inteligência artificial foi tratado como ficção e
permeava nossa sociedade sob o prisma do imaginário. Hoje, em um salto de 4
anos, ela está silenciosamente incorporada ao cotidiano de toda a humanidade.
Algoritmos
determinam o que vemos nas redes sociais, quais notícias chegam até nós, que
músicas ouvimos e até mesmo quando alguém solicita um carro por aplicativo; o
algoritmo decide com base em probabilidade de aceitação, tempo estimado e
histórico de desempenho.
Eles
não possuem consciência, mas possuem algo igualmente útil e poderoso: a
capacidade analítica de prever o nosso comportamento. Quando abrimos as redes
sociais, não estamos navegando em um espaço neutro, estamos atravessando um
filtro algorítmico que prioriza conteúdos com maior probabilidade de manter
nossa atenção na tela. O que é apresentado como uma grande vantagem, carrega um
efeito social mais complexo do que parece.
O
algoritmo aprende nossas preferências, muitas das quais estão relacionadas ao
nosso perfil psicológico e biológico. Nesse campo estão as nossas inclinações
políticas, nossos problemas de saúde e fragilidades emocionais. Toda essa
espiral de informações passa a reforçar padrões.
No
mercado global, sistemas de IA já participam de decisões financeiras.
Plataformas como a Amazon ajustam preços dinamicamente conforme demanda,
localização e perfil de consumo.
Em
2018, no campo político, veio à tona o caso da Cambridge Analytica, que
utilizou dados do Facebook para influenciar campanhas políticas, evidenciando
como informações coletadas por meio das redes sociais podem ser usadas para
segmentar mensagens eleitorais. O dado se tornou insumo de estratégia e micro
direcionamento de massas.
Outro
exemplo são as chamadas Big Techs, que concentram a capacidade de processamento
e armazenamento de dados. Empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft
monopolizam a controladoria de serviços essenciais: busca, nuvem, comunicação,
armazenamento e publicidade.
A
inteligência artificial é absoluta no gerenciamento em larga escala: quanto
mais preciso, maior a vantagem competitiva. A discussão atual não é sobre
máquinas conscientes dominando o mundo. É sobre sistemas automatizados
influenciando decisões humanas globalmente. E a grande reflexão que fica é:
quem faz a regulação desses sistemas? Como proteger a privacidade e a autonomia
individual? As leis referentes à IA que já vemos implementadas na União
Europeia são suficientes?
O
futuro aponta para sistemas cada vez mais integrados à estrutura social e
eficientes, porém, invisíveis e difíceis de auditar. A tecnologia seguirá
evoluindo e essa vigilância velada se enraizando cada vez mais nos dispositivos
do dia a dia.
Vivemos
um momento histórico em que a inteligência artificial não é mais hipótese
distante e aqueles que detêm os dados, detêm capacidade de influenciar, modelar
e definir o comportamento coletivo. A pergunta não é se a IA controla. A
pergunta é: quem controla a IA? E, sobretudo, quem controla os controladores?
(*) é
entusiasta da área de tecnologia, escritor e autor do livro “Future Rising: A Sétima Máquina”,
ficção científica de atmosfera cyberpunk que aborda IA, poder algorítmico e os
limites do livre-arbítrio humano
Ilustração: Jornal
Expoente.
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