QUEM DEFENDE O CIDADÃO DE BEM?
Por Antônio
Branco (*)
Se você perguntar para o
morador da periferia, para o motorista de aplicativo ou para o comerciante que
abre as portas às seis da manhã o que ele mais quer, a resposta é simples: paz
para trabalhar e o direito de voltar para casa em segurança. O trabalhador não
quer saber de discursos bonitos em Brasília, de gráficos coloridos ou de
promessas de novos ministérios. O que o povo sente na pele é o medo de perder o
celular no ponto de ônibus, de ter o WhatsApp clonado ou de ver o filho cair em
uma armadilha do crime na esquina de casa.
Durante décadas de farda,
comandando homens e mulheres que saem às ruas todos os dias para proteger a
sociedade, aprendi uma lição que nenhuma teoria consegue mudar: o crime só
cresce onde o Estado recua. E, infelizmente, o que temos visto é um recuo silencioso.
Hoje, a maior covardia
que existe é tratar as facções criminosas como se fossem apenas um
"problema social". Quando o Estado usa essa desculpa para não agir
com firmeza, ele abandona o cidadão de bem. O resultado está aí: o trabalhador
escondendo a aliança no bolso antes de entrar no transporte público, com medo
de ser assaltado por quem não teme a lei. O crime perdeu o respeito, porque
percebeu que as regras do jogo ficaram frouxas.
Para resolver a segurança
de verdade, o caminho não é inventar novas siglas ou criar planos que só
funcionam no papel. O crime não tem medo de burocracia; ele teme a polícia na
rua, a presença firme que não dá espaço para a desordem. Onde a viatura está presente,
o bandido pensa duas vezes. Mas para que essa presença seja real, o Estado
precisa entender que a linha de frente de combate ao crime depende de quem
veste a farda.
A polícia precisa ser
verdadeiramente valorizada, e valorização não se faz com tapinha nas costas; se
faz com salários dignos, que deem estabilidade e justiça para quem arrisca a
vida pela sociedade, e com treinamentos constantes, garantindo que o policial
na ponta da linha tenha as melhores técnicas e o preparo necessário para
enfrentar a criminalidade moderna com segurança e eficácia. Segurança pública
de verdade se faz ocupando o espaço que pertence ao cidadão e dando condições
reais para o policial trabalhar.
Onde o policiamento
enfraquece por falta de apoio e estrutura, o crime assume o controle de tudo.
Passa a mandar no preço do gás, na internet do bairro e até no direito das
pessoas de irem e virem. Isso não é falta de dinheiro; é falta de uma doutrina
clara de presença, autoridade e investimento em quem nos protege.
A população honesta está
cansada de viver trancada em casa, enquanto quem comete crimes desfruta da
impunidade. Um país que quer ser respeitado precisa, antes de tudo, proteger
quem acorda cedo para construir a nação. Defender o povo não é uma questão de
política; é uma obrigação moral. Está na hora do Estado parar de fazer discurso
e voltar a garantir o básico: salários dignos para as forças policiais,
treinamento de ponta, ordem, paz e o direito de cada brasileiro viver sem medo
na sua própria rua.
(*) é Coronel da Reserva
da Polícia Militar de SP.
Ilustração: Cursinho on-line para o ENEM.
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