Luiz Paulo Foggetti (*)
Vivemos um momento
histórico, no qual o conceito de envelhecer está sendo radicalmente
transformado. Por muito tempo, a velhice foi encarada como um destino
inevitável, marcado por limitações e perdas, mas, hoje, esse paradigma começa a
ruir. A longevidade não significa apenas viver mais tempo sendo velho mas, sim,
prolongar juventude e maturidade ampliando os anos de vitalidade e participação
ativa na sociedade.
Essa mudança não é apenas
cultural, mas também científica, pois os avanços na compreensão da biologia da
senescência e os mecanismos que causam o envelhecimento, aliada às tecnologias
médicas e às políticas públicas, tornam possível projetar uma vida de até 120
anos como algo estatisticamente plausível. O advento das canetas emagrecedoras,
a ampliação das academias, a expansão do saneamento básico e a melhoria da
alimentação nos levarão aos 95 anos como expectativa média de vida até 2040.
Países que já contam com
populações envelhecidas oferecem aprendizados valiosos, mostrando que viver
mais e melhor será a norma, não a exceção, reforçando que ler, socializar,
cuidar e meditar são práticas dos vencedores que devem ser aplicadas por essa eminente
longevidade.
Mas a revolução da
longevidade não se limita ao indivíduo, impactando profundamente a estrutura
social e familiar - a chamada “Árvore Vertical” -, onde famílias podem reunir
até cinco gerações vivas, de tataravós a tataranetos, convivendo sob o mesmo
teto.
Essa configuração inédita
traz desafios e oportunidades, como a transferência de sabedoria em tempo real
com conhecimento circulando entre diferentes gerações, novos arranjos
financeiros, que incluem herança em vida e redistribuição de recursos para apoiar
múltiplos ciclos geracionais, e a transformação do ambiente familiar, que passa
a ser multigeracional e deve ser adaptado para acolher as diferentes fases da
vida.
Mais do que nunca se faz
necessário repensar vínculos, papéis e responsabilidades dentro da família,
considerando que o Homo Longevus não é apenas um ser humano que vive mais
tempo, mas, alguém que vive melhor, com mais vitalidade, integração social e propósito.
É urgente provocar e conscientizar sobre uma geração prateada crescente e cada
vez mais longeva, com renda, posicionamento, experiência contributiva e
demandante de novas necessidades.
Resumindo, é a hora e a
vez de todos entenderem que ter mais de 50 anos pode ser muito cool, prazeroso
e o momento ideal para uma reflexão sobre um futuro inevitável, mas que pode
ser melhor e mais inclusivo e afetivo. Afinal, todos chegaremos lá.
(*) é empresário e empreendedor, é autor do livro “Homo
Longevus: O guia do longo prazo para o século 22”.
Ilustração: Simone Neri.
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