O FUTURO QUE NÃO HOUVE E
O BRASIL POSSÍVEL
Silvio Persivo
No século passado- e digo
isso com humildade e reconhecimento dos erros- fui um dos que acreditaram ser
possível criar um mundo melhor, quase um paraíso na Terra. A bandeira da
esquerda, em especial durante o regime militar e diante da rigidez dos
costumes, parecia nos convocar à revolução. Éramos jovens e acreditávamos em mudanças
rápidas, na nossa capacidade de endireitar o mundo. Eram sonhos juvenis, que a
realidade tratou de enterrar. O socialismo, que se apresentava como solução,
logo se revelou uma decepção-algo que os mais ingênuos não conseguiram, ou não
quiseram, enxergar. Muitos ainda permanecem presos à mentalidade dos diretórios
acadêmicos, repetindo velhos chavões sobre esquerda e direita e um marxismo
vulgar, já ultrapassado.
Naquele
tempo, havia verdadeiros intelectuais, como Stefan Zweig: um pensador intenso,
europeu apaixonado pelo Brasil que, ao acreditar no potencial do nosso país,
ajudou a consagrar a expressão “País do Futuro”. Zweig via na nossa
diversidade, criatividade e alegria uma possibilidade- uma rota de fuga da
loucura que se espalhava pelo mundo. Ele, assim como meu ex-professor Darcy
Ribeiro, talvez não tenha conseguido enxergar plenamente o nosso lado sombrio,
tão presente no “jeitinho” e na disposição de desrespeitar regras sem remorso.
Talvez Zweig tenha percebido isto no fim da vida. Não sabemos ao certo quanto
pesou esta desilusão em sua decisão de tirar a própria vida. Alguns idealistas
têm dificuldade em suportar um mundo que não corresponde aos seus ideais. Há, porém, quem reaja de outra maneira:
manipulado por adoradores do poder e do dinheiro e sem disposição para o
debate, prefere chamar de “nazistas”, “extrema direita”, “burros” ou “gado”
aqueles que pensam diferente.
Neste
século, infelizmente, o Brasil enveredou pelo caminho dos oportunistas e dos
populistas, muitas vezes sem o preparo intelectual necessário- sobretudo em
economia. Adotou um modelo de desenvolvimento conduzido pelo Estado e apoiado
no consumo, que hoje representa mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB), com
forte recurso ao crédito. Mas desenvolvimento duradouro exige mais do que
consumo: requer crescimento da produção, formação de poupança, controle dos
gastos públicos e segurança jurídica. São condições que, a meu ver, faltaram ao
Brasil ao longo de cerca de 22 anos de governos petistas-e não ignoro que
Michel Temer foi vice-presidente de Dilma Rousseff; por isto, não considero seu
governo completamente apartado desse período.
Não
há futuro sólido quando se negligenciam duas bases fundamentais: educação e
investimento. Com a formação bruta de capital em 16,8% do PIB em 2025,
crescimento médio de 2,4% ao longo de 24 anos e um investimento abaixo dos 17%
registrados em 2022, quando Bolsonaro deixou o governo, corremos o risco de
repetir o conhecido ciclo do “voo de galinha”. Ainda assim, Lula quer mais
quatro anos para insistir na mesma fórmula, que já se mostrou esgotada, e
repetir, mais de uma década depois, os erros do governo Dilma Rousseff. No século passado, ao menos havia a esperança
que Zweig nos oferecia- uma esperança da qual o Brasil se afastou, ou que
talvez nunca tenha alcançado de fato. A juventude de hoje, porém, merece um
sinal de esperança e a promessa de um futuro melhor. Isto não será possível sem
MUDANÇA. A eleição do dia 25 parece nos oferecer uma alternativa para o Brasil mudar de
rumo. Quem sabe, a partir de um governo diferente, possamos construir um
projeto de país e recuperar a capacidade de sonhar com um amanhã melhor.

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