quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Um artigo sobre o papel da aula




Quando a aula vira uma "conversa"

Sergio Felipe Moraes  (*)

Muitos dos comentários sobre educação no meio digital, feitos por diversos especialistas, abordam direta ou indiretamente a “aula”. Ela está no centro do debate educacional, mesmo que não seja citada ou problematizada. 

Em virtude das recentes transformações do mundo, talvez não faria sentido “dar aula” ou defender esse conceito. Tecnicamente, videoaulas já podem reproduzir o modelo de “aula palestra”, podendo ser assistidas infinitas vezes pelos alunos. Nesse sentido, programas que utilizam a inteligência artificial generativa na educação tentam reproduzir o modelo da “aula expositivo-dialogada”, baseado em perguntas problematizadoras e nas “perguntas de compreensão” mobilizadas pela docência em aulas presenciais. O modelo da “aprendizagem ativa”, em muitos casos, transforma a aula em um jogo de perguntas e respostas – um quiz. 

O que parece estar obsoleto não é a aula, mas o conceito de aula e os modelos que tentam reproduzi-la na atualidade, seja na versão convencional ou na oriunda do mundo digital. Primeiramente, a linguagem não é um espelho que reflete automaticamente o sentido das coisas existentes neste mundo. Algo pode ser dito e não necessariamente compreendido, ou pode ser entendido de outro modo. 

Outro problema é que a pergunta e o questionamento do estudante funcionam como intromissão nas formas de conduzir as aulas, restringindo o espaço para expansão do pensamento e das formas de ser. E o aspecto fundamental é o desafio de saber lidar com interesses e desinteresses dos alunos pela educação escolar, especialmente quando se leciona para a juventude. 

O conceito de “aula como conversa” surge em resposta a esses desafios, sendo compreendido como “espaço para debates” que “produz entendimentos por meio da comunicação”. Ela é aberta a perguntas e a conjecturas do outro, a afetar e ser afetado. O entendimento funciona como resposta ao espaço de abertura ao contraditório, à busca por “algo a mais” que dependa do outro para existir.  

Metodologicamente, a ideia é planejar como sensibilizar e despertar a curiosidade do outro para aprender algo que inicialmente não desejava, mas que pela reelaboração do conhecimento feita, passa a interessá-lo e afetá-lo. Incentivar os educandos a perguntarem o que sabem e o que não sabem para ler, escrever e desenvolver o pensamento crítico de forma integrada. E defender a necessidade de avaliar a aprendizagem conforme as professoras alfabetizadoras, que utilizam a “prática guiada” como parte do processo avaliativo. 

(* ) é doutorando e mestre em Ensino de História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de especialista em Educação Tecnológica (Cefet-RJ). É autor do livro "Aula como conversa”.  

 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

É possível fazer acontecer? Zeppo diz que sim.

 


Empreender: o #FazerAcontecer além de um CNPJ

Por Marcio Zeppelini (*)

No mundo atual, em que a velocidade das transformações dita o ritmo, “empreender” deixou de ser sinônimo de abrir uma empresa. A palavra ganhou densidade. Empreender não é privilégio de poucos nem se resume a um CNPJ ou a um balanço no fim do mês. É, sobretudo, uma atitude: a disposição de construir, inovar e transformar.

Jean Cocteau resumiu essa postura ao afirmar: “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.” A frase encapsula o espírito do #FazerAcontecer — identificar um problema, uma necessidade ou um vazio e ter a iniciativa de buscar uma solução. Empreender é colocar energia, tempo e propósito na criação de algo que gere impacto positivo.

Sim, você pode empreender ao fundar uma startup capaz de remodelar um setor. Mas também empreende a mãe que organiza a festa do filho, o voluntário que se dedica a uma causa social, o grupo que revitaliza uma praça ou o profissional que, dentro de uma grande empresa, propõe uma nova metodologia de trabalho. Empreendimento é tudo aquilo que se constrói passo a passo, com intenção e dedicação. É realização na forma mais concreta.

Empreendedorismo e sociedade: a inquietude que move o mundo

Na essência, empreender é entregar valor. É olhar para a sociedade e se perguntar: “Como posso melhorar isso? Como posso provocar uma mudança real?” Muitas vezes surge a dúvida: “Se tenho propósito social, posso ter lucro?” Pode — e deve. Propósito e sustentabilidade financeira não se anulam; quando caminham juntos, fortalecem o impacto.

Construir um negócio que gera receita e, ao mesmo tempo, benefícios sociais é plenamente possível. O ganho financeiro torna-se consequência de um trabalho bem-feito, guiado por propósito. Ele não deveria ser o único motivo da ação, mas um dos resultados naturais de uma entrega consistente.

O Setor 2.5: onde propósito e modelo de negócio convergem

Avança no Brasil o debate sobre negócios de impacto, as organizações do chamado “setor dois e meio”. São iniciativas que nascem com o objetivo de resolver questões sociais ou ambientais, como moradia, educação, saúde ou inclusão digital.

A diferença está no modelo: esses negócios são financeiramente sustentáveis. Geram receita, pagam seus custos e reinvestem o lucro na ampliação do impacto. O investidor pode recuperar seu capital, mas o foco principal é o avanço da causa. O sucesso é mensurado não só pelo faturamento, mas pela transformação gerada na vida das pessoas e nos territórios.

É a materialização de um sonho coletivo — um caminho em que #Inspiração e #Atitude realmente conseguem #FazerAcontecer.

Por onde começar?

Se a vontade de construir algo existe, mas o caminho ainda parece nebuloso, tudo bem. Empreender é uma jornada de persistência. O Brasil segue como um dos países mais empreendedores do mundo, o que evidencia que essa inquietude faz parte da nossa cultura. Alguns pontos de partida:

Problemas e oportunidades: onde o incômodo vira ação

Observe seu entorno. Quais problemas te incomodam? O que poderia ser melhor? Muitas soluções nasceram justamente da insatisfação — de aplicativos de entrega a serviços digitais que simplificaram rotinas. A “incomodação” é semente para inovação.

Segmento de atuação: defina onde quer estar

Entre tantas causas e setores possíveis, qual realmente conversa com você? Educação, sustentabilidade, finanças, saúde, moradia? Foco é fundamental.

Público-alvo: quem você quer impactar?

Compreender profundamente quem vivencia o problema é condição básica. Sonhos, dores, hábitos, barreiras — tudo isso importa. Sem conexão com o público, a melhor ideia não se sustenta.

Concorrência: aprender com quem já atua

Identifique quem já está no mesmo campo. Não para copiar, mas para entender. Analisar boas práticas, lacunas e oportunidades é parte do processo de construção de valor.

Necessidades: recursos tangíveis e intangíveis

Defina o que será necessário — produtos, serviços, equipamentos, investimentos. Mas não subestime os recursos intangíveis: habilidades, rede de contatos, criatividade, tempo, persistência. Eles são, muitas vezes, tão relevantes quanto capital.

Validação: testar, aprender e ajustar

Ideias brilham na cabeça, mas precisam enfrentar a realidade. Testes, conversas, protótipos e pesquisas trazem respostas. Ajustes fazem parte da jornada. Feito é melhor que perfeito.

Capacitação e informação: conhecimento como propulsor

Busque formação e referências qualificadas. Aprendizado constante é combustível para a evolução. Sebrae e Instituto Filantropia, por exemplo, são bons pontos de partida.

Networking: o valor das conexões

Relacionamentos movem negócios. Criar vínculos, trocar experiências e formar parcerias estratégicas acelera trajetórias. Ser genuíno e oferecer antes de pedir abre caminhos que o talento sozinho não abre.

Plano de negócio: direção e clareza

Com as informações organizadas, coloque o plano no papel. Defina metas, objetivos e indicadores. A metodologia SMART (Específico, Mensurável, Atingível, Relevante e Temporal) ajuda a dar firmeza ao caminho e mapear riscos é essencial para executar com confiança.

Formalização: estrutura para crescer

Quando o projeto evolui, formalizar o negócio, mesmo como Microempreendedor Individual (MEI), amplia credibilidade, permite emissão de nota e abre acesso a fornecedores e oportunidades.

A magia está em você

Empreender é um ciclo contínuo de sonhar, planejar, executar e aprender. É aceitar erros, insistir, improvisar e avançar. Não espere condições ideais: comece com o que tem. Não se limite ao visível: explore o que ainda não existe. Não mire o mínimo: busque impacto.

A magia do #FazerAcontecer não está em técnicas mirabolantes, mas na capacidade humana de transformar inspiração em realização. O convite é simples: levante a cabeça, deixe para trás o que não serve mais, abra espaço para novas ideias e siga. O movimento é essencial.

(*) é conhecido como ZEPPA, é empresário, empreendedor social e palestrante. Autor de “A Magia de #FazerAcontecer”. CEO da Rede Filantropia, diretor-executivo da Zeppelini Publishers e CMO da G&F Projetos de Impacto. Mais em: www.zeppa.com.br.