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(*) é especialista em carreira, mercado de
trabalho e educação profissional, superintendente do CIEE e autor do livro “O
mundo é seu, mas calma lá!”.
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(*) é especialista em carreira, mercado de
trabalho e educação profissional, superintendente do CIEE e autor do livro “O
mundo é seu, mas calma lá!”.
Por que a razão humana segue sendo o principal ativo competitivo
Dados do Banco Mundial mostram que pela primeira vez na história mais pessoas têm mais de 60 anos do que menos de 15 em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Essa mudança demográfica altera profundamente a composição da força de trabalho, elevando o valor de habilidades que só humanos possuem.
Paralelamente, a inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito distante. Desde o lançamento do ChatGPT, há mais de dois anos, ferramentas de IA têm transformado como empresas criam produtos, interagem com clientes e tomam decisões estratégicas. Um estudo de pesquisadores da Yale University e do The Brookings Institution concluiu que, embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia.
Então, como conectar essas duas grandes forças, longevidade da população e adoção acelerada de IA, ao futuro do trabalho?
A IA é extraordinária em automatizar tarefas repetitivas e gerar eficiência em escala. Porém, seu valor é amplificado quando aplicada em parceria com pessoas que pensam criticamente, traduzem problemas complexos em soluções e constroem conexões humanas autênticas, algo que algoritmos, por mais avançados, ainda não replicam.
Segundo o Deloitte Global Human Capital Trends, as organizações de maior desempenho estão investindo em capacidade de adaptação humana, pensamento crítico e habilidades sociais justamente para integrar equipes híbridas de humanos e IA.
Isso significa que o diferencial competitivo não é quem tem mais tecnologia, mas quem consegue extrair significado dela aplicando discernimento, experiência e visão estratégica.
O envelhecimento populacional não é um problema, é uma oportunidade estratégica. Trabalhadores mais experientes trazem melhor capacidade de julgamento, visão sistêmica, gestão de complexidade e inteligência relacional. Essas habilidades são críticas em um mundo no qual a IA já está assumindo tarefas operacionais.
Além disso, pessoas mais velhas, com bagagem profissional consolidada, são menos propensas a ser substituídas por ferramentas automatizadas porque trabalham em níveis de abstração mais altos, envolvendo nuances de contexto que a tecnologia ainda não domina.
O mercado já está sinalizando quais papéis serão mais valorizados: especialistas que criam diretrizes éticas e de uso responsável de IA, líderes que alinham tecnologia a propósito organizacional, facilitadores que traduzem dados em decisões humanas, designers que desenham experiências colaborativas entre humanos e máquinas e curadores de conhecimento que mantêm a inteligência atualizada e contextualizada.
Esses perfis, identificados em estudos de tendências de futuro do trabalho, não trocam pensamento por automação, eles elevam a automação à inteligência estratégica.
A equação humana + IA é a que cria valor sustentável. A principal tendência para os próximos anos não é a IA substituindo pessoas, nem um retorno ao trabalho exclusivamente humano. É a colaboração entre ambos, a IA acelera a execução, e os humanos comandam significado.
Empresas que perceberem essa dupla lógica, tecnológica e humana, estarão não apenas mais competitivas, mas mais resilientes frente às mudanças demográficas e de mercado. Em um mundo que muda rápido, a pergunta que líderes e profissionais devem fazer não é “O que a inteligência artificial vai fazer por mim?”, mas “Como eu uso a inteligência artificial para expandir aquilo que só eu posso oferecer: pensamento crítico, criatividade e julgamento ético?”
Essa é a pergunta que determina quem prosperará no futuro do trabalho.
Paulo Zahr é fundador da OdontoCompany, empreendedor e especialista em franquias.
Reforma Tributária: transição sem simplificação e com insegurança jurídica
Silvania Tognetti (*)
Todos somos a favor da Reforma Tributária com a simplificação, a neutralidade e a redução de distorções do sistema fiscal brasileiro que ela trará. Mas não se pode ignorar que estes benefícios ainda estão distantes e o que temos, por ora, é um rastro de insegurança gerando preocupações e riscos para as empresas.
A transição é a parte mais delicada da Reforma Tributária. Dependendo de como acontecer poderá impedir que os benefícios cheguem para muitas empresas porque elas não sobreviverão até lá. Então, vamos todos ajudar para que a transição ocorra da melhor forma e atentar-se aos pontos críticos é uma maneira de colaboração.
No âmbito da CBS, como todos os recursos são pagos à União, não há maiores disputas, mas o IBS traz seus desafios que precisarão estar no radar do Comitê Gestor.
A definição do local do consumo nas operações de bens e serviços é um dos pontos preocupantes. Em uma economia cada vez mais digital, descentralizada e baseada em serviços, identificar onde o consumo efetivamente ocorre é tarefa complexa, sujeita a interpretações divergentes e impactará na arrecadação dos entes públicos. Como serão estabelecidas alíquotas próprias pelos Estados e Municípios, isto ainda pode trazer sombras do fantasma da guerra fiscal. Ninguém vai querer perder e, antes da racionalidade do sistema, virá, certamente o interesse da arrecadação.
Alguns somente perceberam agora que teremos a convivência dos dois sistemas tributários, o atual e o novo, durante uma longa transição. Na venda de uma mercadoria, por exemplo, haverá um tributo calculado por dentro do preço (ICMS) e outro por fora (IBS) e, também, teremos algumas obrigações acessórias duplicadas. E um dos impactos será a apropriação de créditos na aquisição de mercadorias nos dois impostos, porque as regras de apropriação são distintas. O produto A, por exemplo, dá direito a crédito com o destaque na nota fiscal para o ICMS, mas somente poderá ser reconhecido o crédito para IBS em momento posterior. Outro produto dá direito a crédito no IBS, mas não no ICMS.
Os profissionais que atuam na formação de preço das empresas e os que apuram os tributos precisarão conversar bastante para não acontecerem erros, bitributação ou conflitos de interpretação. O sistema tributário ficará mais simples, mas isto depois de ficar bem complicado durante a transição que se arrastará por alguns anos.
E se a apropriação de créditos gera dúvidas, muito mais preocupação geram os créditos acumulados. O temor de que esses valores se tornem de difícil recuperação afeta decisões de investimento e planejamento financeiro. Será assunto prioritário nas equipes de planejamento fiscal das empresas que buscarão a redução dos saldos acumulados para reduzir incertezas de recuperação no futuro.
A governança do Comitê Gestor do IBS também levanta questionamentos relevantes. A centralização de decisões em um órgão nacional desafia o pacto federativo e pode gerar conflitos sobre autonomia dos entes subnacionais, especialmente se critérios técnicos forem contaminados por disputas políticas. E vai começar justamente em ano de eleição...
Além disso, setores intensivos em contratos de longo prazo envolvendo entes públicos - como infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas- já vislumbram riscos de desequilíbrio econômico-financeiro. E não será diferente nos contratos de fornecimento de longo prazo privados. A alteração estrutural da carga tributária pode desencadear uma onda de pedidos de reequilíbrio e judicialização.
A sociedade brasileira está navegando em um oceano novo, mas pode ser atingida por uma tempestade de leis, decretos e normas administrativas instáveis, contraditórias ou excessivamente complexas. As águas não serão calmas nos próximos anos, o país corre o risco de substituir um contencioso tributário por outro, apenas com novos nomes. É preciso atenção.
(*) é especializada em Direito Tributário e sócia do Tognetti Advocacia.
O PAPEL DO ENSINO
SUPERIOR NA FORMAÇÃO DOS LEITORES
Erik Adami
(*)
Falar sobre leitura no
Brasil exige um olhar atento para os desafios, mas, sobretudo, para as
oportunidades concretas de transformação. No ensino superior, universidades
ocupam uma posição estratégica: são ambientes em que a leitura deixa de ser
apenas um hábito cultural e passa a ser uma ferramenta central de aprendizagem,
formação profissional e produção de conhecimento.
A rotina universitária
propõe uma imersão constante na leitura. Livros técnicos, obras de referência,
artigos científicos, pesquisas e conteúdos complementares fazem parte do dia a
dia dos estudantes, especialmente em cursos com alta densidade teórica. Essa
dinâmica cria um contexto favorável para o fortalecimento da leitura e formação
de excelência.
Cursos como medicina,
direito, psicologia e engenharias, são exemplos de formações que demandam
leitura ao longo de toda a graduação, pois além do conteúdo pré-estabelecido,
há necessidade de aprofundamento e atualização constante. Nesse cenário, a
leitura deixa de ser um complemento e passa a ser um pilar fundamental.
Quando bem orientada e
acompanhada de perto pelas instituições, a experiência de leitura contribui não
apenas para o desempenho acadêmico, mas para a formação de profissionais mais
críticos, autônomos e preparados para um mercado em constante transformação.
Nesse contexto, o digital
se consolida como um importante aliado. Bibliotecas digitais ampliam o acesso
ao acervo, oferecem títulos atualizados e permitem que estudantes e docentes
integrem a leitura de forma mais fluida à rotina acadêmica. Ao reduzir barreiras
logísticas, de atualização e concentrar diferentes obras em um único ambiente,
as plataformas favorecem o contato frequente com o livro e apoiam estratégias
institucionais de incentivo à leitura.
Investir em acesso, curadoria de conteúdo, integração com o currículo e apoio ao estudante é um caminho consistente para ampliar o impacto da leitura no ensino superior. Trata-se de uma estratégia que qualifica a formação acadêmica e contribui, de forma duradoura, para a construção de uma relação mais sólida entre conhecimento, educação e sociedade.
(*)
é
diretor comercial da Minha Biblioteca (MB), ecossistema de aprendizagem que
combina tecnologia, inovação, consultoria especializada, biblioteca digital e
um acervo com mais de 15 mil ebooks relevantes para a formação acadêmica e
continua.
Ilustração: Universidade do Porto.
A VERDADE EM TEMPOS DE RUÍDO
A LUCIDEZ COMO COMPANHIA
NÃO ESTAMOS SÓS — APENAS DESENCONTRADOS
A DIGNIDADE DO REAL
QUANDO A CONSCIÊNCIA AINDA ILUMINA
PENSAR ANTES DO CAOS
CONCLUSÃO
Entre a luz e as sombras, habitamos o
agora a caminho do infinito
by Samuel Saraiva
A fotografia revela
apenas uma estação vazia, envolta em luz e sombra, onde a arquitetura metálica
se impõe como uma grande abóbada silenciosa. É a geometria do vazio que se
oferece ao olhar: linhas que não apenas sustentam o espaço, mas parecem guardar
a memória do tempo. Ali, tudo existe antes da forma e depois do tempo, como se
o instante tivesse aprendido a respirar.
Ao centro, uma figura
humana avança. Caminha sem nome, sem rosto, quase dissolvida na claridade. É
alguém - e são todos. Um corpo em trânsito, símbolo de uma travessia sem nome,
seguindo o caminho antes do caminho. Não atravessa apenas uma plataforma, mas
um estado de existência. A solidão ali não pesa; ela se revela, discreta, como
a solidão compartilhada de todos os que passam.
A luz que desce pela
cobertura rasga o espaço e desenha sombras longas no chão. Há um contraste que
não fere, apenas sugere. Como se o tempo, cansado de correr, tivesse decidido
pausar. Quando o tempo respira, o lugar deixa de ser passagem e se transforma
em intervalo -uma pausa entre mundos, o espaço invisível onde algo se desloca
sem anunciar-se.
Os trilhos paralelos
permanecem vazios. Não há trem, não há ruído -apenas a promessa. São linhas de
espera, de deslocamento contido, de futuro suspenso. O lugar onde nada parte e,
ainda assim, tudo está prestes a acontecer. Entre partidas e o infinito,
compreendemos que partir nem sempre é mover-se; às vezes é apenas aceitar o
silêncio.
Há, contudo, lapsos.
Brechas no tecido do real. Momentos em que a solidão parece ceder e algo-não
visível, não definido- caminha ao nosso lado. Presenças que se aproximam por
desígnios que não controlamos ou por escolhas feitas sem plena consciência.
Permanecem por um tempo incerto, cumprindo uma função que raramente
compreendemos enquanto acontece.
Essas energias
desconhecidas não chegam para permanecer. Aproximam-se e se afastam, tocando
brevemente o percurso antes de retomarem sua própria órbita. A aproximação e o
distanciamento fazem parte da dinâmica da jornada, num universo onde nada é
estático e onde os vínculos, por mais intensos que pareçam, são frágeis e
transitórios-ainda que relutemos em admitir. São como tênues centelhas de luz,
que mal permitem iluminar a consciência de nossa insignificância diante do
universo infinito. É nesse desencontro entre a fluidez do existir e o desejo
humano de permanência que o apego nasce. E quando ignora a consciência da
efemeridade, deixa de ser laço e passa a ferir a alma.
Seguimos, então. Entre a
luz e o antes.
Seguimos. Ainda.
Da luz ao agora,
caminhamos rumo ao eterno, entre tempestades e calmarias.
Quase imperceptíveis,
como ecos que atravessam a leitura.
Nada se impõe; tudo
sussurro.
- A leitura da realidade
deve ser orientada pela honestidade intelectual e pela consciência dos limites
da razão humana. Em sua perspectiva micro, ela é sempre parcial e própria do
sujeito, não dos demais, e não garante, por si só, uma visão macro ou uma interpretação
profunda do real. Tal postura exige vigilância crítica contra reducionismos
dogmáticos, inclusive aqueles expressos sob a forma de realismo ou positivismo
absolutos, bem como o enfrentamento dos impulsos instintivos não educados da
natureza humana. Essa atitude não denota fraqueza epistemológica, mas expressa
humildade reflexiva e maturidade ética diante da complexidade do real.
2026 não será um ano de crescimento real, mas de adiamento
Por Marcos Gouvêa de Souza (*)
2026
deverá ser um ano de normalidade econômica com algum crescimento e mais um
ciclo de postergação com foco prioritário na próxima eleição. Será, na prática,
mais um ano de adiamento de decisões, de ajustes e de responsabilidades. As previsões mostram um crescimento inferior
ao do ano anterior – apesar de todos os estímulos já anunciados e implantados.
Alguns indicadores irão sustentar essa narrativa mas, por trás dela, o país
aprofunda desequilíbrios, posterga ajustes e transfere custos para os próximos
ciclos.
Em
anos pré-eleitorais, a economia costuma contar histórias melhores do que
aquelas que os fundamentos conseguem sustentar. Indicadores escolhidos
melhoram, a atividade se mantém em movimento e o discurso da evolução ganha
tração. Mas, por trás dessa visão mais favorável, acumulam-se tensões que não
desaparecem e apenas são adiadas.
Este
ano tende a ser marcado por um baixo crescimento econômico e, ainda assim,
artificialmente sustentado. A combinação de estímulos fiscais, expansão do
crédito direcionado, políticas de renda, programas de auxílio e investimentos
públicos com forte viés eleitoral devem manter a atividade em funcionamento,
ainda que com baixo crescimento nominal, ou mesmo desempenho real negativo,
quando deflacionados nos segmentos de varejo e consumo, como aconteceu em 2025.
Os
dados recentes de desempenho do final do ano envolvendo shoppings centers,
foodservice e varejo das lojas físicas apontam que a maioria dos segmentos de
comércio, quando deflacionados pela inflação média das categorias envolvidas,
mostra desempenho real negativo com exceção do setor de e-commerce e de algumas
poucas categorias, o que deve se repetir em 2026.
Mudança
estrutural no consumo e no varejo
Trata-se
de uma economia “bombada” por estímulos artificiais de toda ordem, capaz de
preservar indicadores no curto prazo, mas que aprofunda as desigualdades,
amplia a insegurança econômica e social e posterga ajustes estruturais
inevitáveis. O resultado é um crescimento instável e artificial apesar de um
momento global altamente favorável ao país por conta de todas as questões que
envolvem seus diferenciais na produção de alimentos, energia e recursos
minerais estratégicos.
Esse
cenário implica numa reconfiguração estrutural do consumo e do varejo. De um
lado, cresce de forma consistente a participação do varejo de valor, aquele do
mais por menos, impulsionado por consumidores mais sensíveis a preço e prazo de
pagamento, mais endividados e com menor margem de erro no orçamento doméstico.
De outro, o segmento de luxo se mantém, e tende a ampliar seu ritmo de
crescimento, sustentado por rendas menos dependentes do ciclo econômico e
elevadas remunerações ligadas a aplicações financeiras e por uma demanda
estruturalmente mais resiliente.
Nunca
convivemos com um consumo tão pressionado na base e tão eufórico no topo.
Ao
mesmo tempo, avança a participação dos serviços e soluções associados a
produtos como saúde, manutenção, cuidados pessoais, assinaturas, financiamento,
seguros e outras modalidades. O consumidor compra menos itens, mais baratos,
mas exige mais funcionalidade, conveniência e parcelamento dos pagamentos ao
longo do tempo, mesmo que com taxas de juros das mais altas no mundo.
Observa-se
também um aumento da participação direta da indústria de bens de consumo no
varejo, seja por canais próprios, marketplaces e modelos híbridos, mas sempre
com maior envolvimento na relação direta com o consumidor final. Esse movimento
intensifica a disputa por margem, dados e fidelidade, elevando de forma
estrutural a pressão competitiva sobre o varejo tradicional.
Paralelamente
continua a crescer a destinação de renda para apostas online (bets),
aprofundando a desconexão entre aumento da massa salarial e consumo produtivo.
Esse fenômeno contribui para o avanço do endividamento das famílias e para
níveis elevados de inadimplência com impactos diretos sobre a qualidade, a
previsibilidade e a sustentabilidade do consumo. As bets deixaram de ser um
desvio marginal e passaram a competir diretamente com categorias essenciais do
consumo.
Pressão
competitiva exponenciada
O
resultado desse conjunto de forças é um ambiente de competição mais intensa e
rentabilidade pressionada na maior parte do varejo e dos serviços, com exceção
do segmento de luxo e de algumas categorias que preservam maior poder de
precificação, diferenciação e fidelização.
No final, 2026 se apresentará menos como um ano de consolidação e mais
como um tempo de adiamento. A aparente
normalidade econômica mascara fragilidades que tendem a emergir no ciclo
seguinte, quando os estímulos perderem força e a necessidade de correção se
tornar inevitável.
Nesse
contexto, é fundamental a integração das lideranças empresariais dos setores de
varejo, consumo e serviços pessoais. Ela deixa de ser desejável para se tornar
imperativa, para muito além de questões político-partidárias. Em um ambiente no
qual os três Poderes da República mostram-se de forma majoritária mais
comprometidos com o curto prazo, com agendas próprias e interesses imediatos e,
cada vez mais afastados da construção de um Projeto de Nação de longo prazo,
cabe ao setor produtivo assumir um papel mais ativo e responsável.
Se
os setores privado e produtivo não ocuparem o espaço do longo prazo, ele será
ocupado pelo improviso e pela visão estreita da próxima eleição. E o custo,
como sempre, será transferido para a Nação. Pela capilaridade, capacidade de
geração de emprego e renda, proximidade diária com o consumidor e peso
econômico, esses setores deveriam se integrar, se posicionar e atuar de forma
coordenada para construir alternativas ao que hoje parece inevitável. Isso pode ser feito por meio de agendas
comuns e integradas, inovação colaborativa, autorregulação, educação do
consumidor ou propostas concretas para o debate público. O quadro futuro não
pode estar dado. Ele pode ser moldado pela capacidade coletiva de agir com
visão de longo prazo, senso de urgência e compromisso real com a Nação.
Mais
do que a reflexão, é preciso ação.
(*)
é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem.