domingo, 31 de maio de 2026

Segurança é o tema mais importante do momento

 

 


QUEM DEFENDE O CIDADÃO DE BEM?

Por Antônio Branco (*)

Se você perguntar para o morador da periferia, para o motorista de aplicativo ou para o comerciante que abre as portas às seis da manhã o que ele mais quer, a resposta é simples: paz para trabalhar e o direito de voltar para casa em segurança. O trabalhador não quer saber de discursos bonitos em Brasília, de gráficos coloridos ou de promessas de novos ministérios. O que o povo sente na pele é o medo de perder o celular no ponto de ônibus, de ter o WhatsApp clonado ou de ver o filho cair em uma armadilha do crime na esquina de casa.

Durante décadas de farda, comandando homens e mulheres que saem às ruas todos os dias para proteger a sociedade, aprendi uma lição que nenhuma teoria consegue mudar: o crime só cresce onde o Estado recua. E, infelizmente, o que temos visto é um recuo silencioso.

Hoje, a maior covardia que existe é tratar as facções criminosas como se fossem apenas um "problema social". Quando o Estado usa essa desculpa para não agir com firmeza, ele abandona o cidadão de bem. O resultado está aí: o trabalhador escondendo a aliança no bolso antes de entrar no transporte público, com medo de ser assaltado por quem não teme a lei. O crime perdeu o respeito, porque percebeu que as regras do jogo ficaram frouxas.

Para resolver a segurança de verdade, o caminho não é inventar novas siglas ou criar planos que só funcionam no papel. O crime não tem medo de burocracia; ele teme a polícia na rua, a presença firme que não dá espaço para a desordem. Onde a viatura está presente, o bandido pensa duas vezes. Mas para que essa presença seja real, o Estado precisa entender que a linha de frente de combate ao crime depende de quem veste a farda.

A polícia precisa ser verdadeiramente valorizada, e valorização não se faz com tapinha nas costas; se faz com salários dignos, que deem estabilidade e justiça para quem arrisca a vida pela sociedade, e com treinamentos constantes, garantindo que o policial na ponta da linha tenha as melhores técnicas e o preparo necessário para enfrentar a criminalidade moderna com segurança e eficácia. Segurança pública de verdade se faz ocupando o espaço que pertence ao cidadão e dando condições reais para o policial trabalhar.

Onde o policiamento enfraquece por falta de apoio e estrutura, o crime assume o controle de tudo. Passa a mandar no preço do gás, na internet do bairro e até no direito das pessoas de irem e virem. Isso não é falta de dinheiro; é falta de uma doutrina clara de presença, autoridade e investimento em quem nos protege.

A população honesta está cansada de viver trancada em casa, enquanto quem comete crimes desfruta da impunidade. Um país que quer ser respeitado precisa, antes de tudo, proteger quem acorda cedo para construir a nação. Defender o povo não é uma questão de política; é uma obrigação moral. Está na hora do Estado parar de fazer discurso e voltar a garantir o básico: salários dignos para as forças policiais, treinamento de ponta, ordem, paz e o direito de cada brasileiro viver sem medo na sua própria rua.

(*) é Coronel da Reserva da Polícia Militar de SP.

Ilustração: Cursinho on-line para o ENEM. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

"Do Cango-tráfico ao Cango-terrismo" artigo de Samuel Saraiva

Do ‘Cango-tráfico’ ao ‘Cango-terrorismo’: a nova face da política externa de Lula

Samuel Saraiva (*)

“¡Vengan por mí, cobardes!” — gritou o cangaceiro, repetindo o camarada preso em Nova Iorque que, de “maduro”, apodrecera por lá junto com a companheira vadia.

 A trilogia ‘amedrontadora’ formada pelo lulismo, o terrorismo e o tráfico: a nova estratégia brasileira de apenas assistir aos acontecimentos

Há momentos em que a política produz cenas tão curiosas que a realidade parece pedir ajuda ao humor para ser compreendida. A recente notícia envolvendo o interesse americano em classificar o CV e o PCC como organizações terroristas produziu um espetáculo digno de observação.

Flávio Bolsonaro correu para reivindicar os louros. O governo Lula correu para monitorar. E Washington continuou fazendo o que Washington faz há décadas: tomando decisões com base em seus próprios interesses.

Talvez estejamos diante do nascimento de uma nova escola diplomática brasileira. A antiga política externa falava em protagonismo; a nova parece apostar no monitoramento.

Monitora-se tudo. Monitora-se Trump. Monitora-se o Congresso americano. Monitoram-se as intenções de Washington. Monitoram-se até os monitoramentos.

O próximo passo talvez seja criar um Ministério da Observação Preventiva dos Fatos Consumados. Porque, afinal, Lula monitora; Trump decide.

Não creio que Flávio Bolsonaro tenha sido o arquiteto da iniciativa americana. Seria um exagero tão grande quanto afirmar que um surfista criou o oceano. Mas seria igualmente injusto negar que soube aproveitar a onda. Flávio surfou a onda; Lula monitorou a maré.

A diferença parece pequena, mas na política, às vezes, ela separa quem aparece na fotografia de quem aparece no relatório de acompanhamento da fotografia.

O mais divertido, entretanto, é assistir ao drama patriótico repentino de quem descobre que grandes potências raramente pedem autorização para defender aquilo que consideram seus interesses estratégicos. É uma descoberta surpreendente. Os Estados Unidos fazem isso desde antes da invenção da televisão. Antes da internet. Antes mesmo de muitos dos atuais comentaristas políticos terem nascido.

Ainda assim, Brasília reagiu com solenidade. Anunciou que está monitorando possíveis interferências externas. A frase é maravilhosa. Tem a mesma eficácia prática de um passageiro anunciar que está monitorando atentamente a aproximação de um trem de carga.

A questão nunca foi observar. A questão sempre foi o que fazer depois. E é justamente aí que a sátira encontra a realidade. Porque a geopolítica possui um defeito terrível: ela não lê notas de repúdio, não assiste a coletivas indignadas, não se impressiona com discursos inflamados e não se intima com metáforas heroicas.

Ela responde apenas a uma linguagem muito antiga: poder. Poder econômico. Poder militar. Poder tecnológico. Poder diplomático. Todo o resto costuma ser material para discursos.

Por isso, confesso que pagaria ingresso para assistir a uma nova reunião entre Lula e Trump. De um lado, o homem que se apresenta como portador do sangue e da alma de cangaceiro. Do outro, o homem que construiu sua carreira política convencendo o eleitor americano de que os Estados Unidos devem agir como o xerife do mundo.

Entre o Cangaço e a Casa Branca, existe um detalhe inconveniente: o cangaço pode inspirar discursos, mas a Casa Branca controla porta-aviões. E a história ensina que, quando a retórica encontra o poder, normalmente é a retórica que precisa se adaptar.

Talvez seja por isso que o episódio mereça ser lembrado como o dia em que o cangaceiro encontrou o xerife. Não houve duelo. Não houve confronto. Não houve resistência épica. Houve monitoramento. Muito monitoramento.

Porque, na moderna República dos Monitores, acompanha-se tudo com enorme atenção. Apenas não se influencia quase nada. No final, sobra uma verdade desagradável, porém persistente: enquanto alguns observam o tabuleiro, outros movem as peças. E o observador, por mais atento que seja, continua sendo apenas espectador do jogo.

O ápice dessa paralisia é ver o próprio “Lulismo” ser parodiado e rebatizado pela força dos fatos. Ao estender o manto da retórica e dar um sentido de defesa explícita tanto à mística do cangaço quanto às facções criminosas, Lula acabou inspirando a criação dessas duas novas patologias políticas: o “Cango-tráfico” e o “Cango-rismo”. O problema é que, no xadrez de Washington, o romantismo ideológico perdeu o prazo de validade. As facções agora foram classificadas oficialmente como narcoterroristas, e o voluntarismo de Brasília virou piada de mau gosto.

(*) is a American citizen, Brazilian born, author of projects and proposals directed toward social engagement and environmental protection. Credentialed by the Police Department of the State of New York (NYPD) in 1992, he worked as correspondent and was a former member of the National Press Club of Washington (NPC) and the National Association of Hispanic Journalists (NAHJ) in Washington, D.C.


domingo, 10 de maio de 2026

Reforma Tributária já muda e impacta as PMEs



REFORMA TRIBUTÁRIA; O QUE MUDA E JÁ COMEÇA A IMPACTAR AS PMES

Por Rafael Caribé   (*)

Desde o início do ano, a Reforma Tributária tem marcado um período de transformação fiscal profunda para as PMEs. Embora o período atual seja de transição e a plena vigência do novo sistema esteja prevista apenas para 2033, é preciso considerar o risco iminente de não se preparar para essa mudança. No longo prazo, o que está prestes a acontecer é uma mudança na lógica de funcionamento das empresas, afetando precificação de fornecedores, organização do caixa, operação tecnológica e estratégia comercial. 

Para os pequenos negócios, que representam 97% das empresas abertas no ano passado, conforme dados do Sebrae, trata-se de uma mudança de comportamento, cujo impacto mais relevante está na lógica dos créditos tributários. Se antes o imposto muitas vezes ficava diluído em cada etapa da cadeia, quase invisível para o consumidor na operação, o novo modelo do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) traz mais transparência e, com isso, mais responsabilidade. Este novo sistema unifica os tributos em duas frentes: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que agrega impostos estaduais e municipais.

Na prática, o tributo pago passa a gerar créditos que podem ser abatidos depois, em um sistema que lembra programas de milhagem. Isto é, quando uma empresa comprar um insumo para trabalhar, o imposto pago na compra vai virar um crédito; quando ela vender o produto final, será gerado um débito de imposto. Ao pagar o governo, a empresa não pagará o valor cheio: ela abaterá os créditos acumulados e pagará apenas a diferença sobre o valor que ela mesma adicionou ao produto.

Embora essa mudança pareça positiva (e, em parte, será mesmo), há um efeito colateral importante, especialmente para empresas do Simples Nacional que operam no modelo B2B: ao manter o pagamento dentro da guia única, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), essas empresas tendem a gerar menos créditos de IBS e CBS para seus clientes do que concorrentes fora do regime. O resultado é que o cliente pode preferir comprar de quem oferece maior eficiência tributária, mesmo que o preço seja semelhante, criando uma concorrência fiscal.

Outro ponto que muda a rotina financeira das empresas é o split payment. Hoje, a empresa recebe o valor integral da venda, utiliza esse recurso como capital de giro e, semanas depois, faz o pagamento dos tributos. Esse intervalo, muitas vezes, sustenta a operação. Com o novo modelo, a tendência é que o imposto seja retido automaticamente no momento da transação, seja via Pix, cartão ou outros meios digitais. Na prática, parte do dinheiro não passa pela conta da empresa, impactando o caixa. Negócios que operam com margens apertadas ou controle financeiro menos rigoroso podem sentir a perda de fôlego para cobrir despesas.

Diante desse cenário, o principal desafio será fazer a gestão de impostos, demandas e agendas. Organizar dados financeiros, revisar a cadeia de fornecedores, investir em tecnologia, como em contabilidade automatizada, e buscar orientação especializada se tornam diferenciais para um bom preparo para 2033, pois, na prática, a Reforma Tributária já começou.

(*) é formado em Ciências da Computação pela Universidade Federal da Bahia e CEO da Agilize, primeira contabilidade online do Brasil.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

A VERGONHOSA E INTERMINÁVEL NOVELA DA RECUPERAÇÃO DA BR-319

 

A vergonha da BR 319 se arrasta, com decisões que protegem os interesses das ONGS e de Marina Silva

Sergio Pires (*) 

                Não há mais adjetivos que se possa utilizar sobre a verdadeira saga de horror que o reasfaltamento da BR 319 tem sofrido, nas mãos do Ministério Público Federal, de grande parte do Judiciário, principalmente em suas instâncias inferiores e, mais que tudo, pela pressão dqas ONGs, bancadas com dinheiro estrangeiro, que mandam e desmandam na Amazônia. É vergonhoso! É lamentável! É trágico!

                Foi mais uma repetição de tudo o que já se sabia. O governo federal autorizou a obra, liberou os recursos e até mudou a lei para que não se pudesse interromper o trabalho em obras de recuperação onde elas já tivessem ocorrido. Nada adiantou.

               Uma dessas ONGs que representam o terrorismo ambiental que foi imposto à população brasileira, num recurso simples à Justiça Federal, num processo analisado por uma juíza que passou sua vida sendo treinada e preparada para criminalizadr qualquer desenvolvimento na região, para “proteger o meio ambiente”, num canetaço, mandou parar uma obra de mais de 670 milhões de reais.

            Não importa se, poucas horas depois, uma decisão superior, do TRF 1,  tenha cassado a decisão da juíza federal. Não é este o ponto central. O que deixa a milhões de Amazônidas indignados é que, a qualquer momento, uma rodovia que integra o Amazonas ao resto do país; que já foi asfaltada há 50 anos e que é vital para toda a região, pode ter suas obras suspensas novamente paralisadas.

               Não haverá uma Amazônia verdadeiramente brasileira enquanto as ONGs dominarem a região. Algumas delas até que são importantes para a população mais pobre, mas a ampla maioria vivem em torno dos interesses estrangeiros, que estão se lixando em manter a floresta em pé. Querem mesmo são as riquezas que abundam no nosso território.

           Movidas a milhões de dólares e vivendo com o apoio de organismos aparelhados durante décadas, as ONGs vivem em função das nossas riquezas e são sempre agradecidas à sua Rainha, a ministra Martina Silva, que em seu Estado, o Acre, não se elegeria mais nem como vereadora. Mas é eleita por São Paulo, onde vive como uma madame, apoiada nas urnas por descerebrados que acham que ela é a salvadora do Planeta.
          
           Não dá vontade de vomitar?

(*) É jornalista e radialista responsável pela coluna Opinião de Primeira.